Terça-Feira, 25 de Abril de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


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SÚMULA HISTÓRICA DO SISTEMA FITOGEOGRÁFICO

A cobertura vegetal da Terra sempre esteve sob a atenção da humanidade e vem sendo objeto de estudos desde a fundação do pensamento filosófico ocidental por Aristóteles (384-322 a.C.) e seus seguidores. Os tratados botânicos de Teofrasto (372-287 a.C.), Plínio, o Antigo (23-79 d.C.), e Dioscórides (40-90 d.C.), ao seguirem o modelo aristotélico de descrição do mundo natural, incorporaram informações sobre os hábitats de diversos vegetais e foram durante toda a Idade Média as principais referências para os estudiosos de plantas e de vegetação (LLOYD, 1990).

As expedições das potências europeias, que no fim dos Séculos XV e XVI levaram à descoberta dos territórios africanos, asiáticos e americanos, contribuíram decisivamente para a percepção da enorme diversidade de vegetação do globo. Movidas principalmente pela perspectiva da utilidade econômica, essas potências multiplicaram o número de missões de naturalistas-viajantes em busca de plantas para herbários e jardins botânicos, e iniciaram uma cultura científica que rompeu com a tradição antiga e medieval, no que se refere à lógica da distribuição geográfica das plantas e das suas ligações com o ambiente. Os primeiros trabalhos europeus sobre a flora ultramarina surgiram na Espanha, com Garcia de Orta, Cristóvão da Costa, Gonzalo Fernández de Oviedo y Valdés e outros que foram seguidos por naturalistas franceses, ingleses, alemães e de outras origens. Com a publicação de Systema naturae, em 1735, e Species plantarum, em 1753, Carl von Linné (1707-1778) dotou as descrições taxonômicas de um sistema prático, consistente e de aplicação universal de categorização e nomenclatura das plantas. O autor expôs em suas obras, ainda que de forma incipiente, alguns conceitos geobotânicos, como os de ótimo climático, relação planta-solo, planta indicadora e gradiente de vegetação (DU RIETZ, 1954; DELÉAGE, 1993).

Foi, no entanto, com Alexander von Humboldt no seu livro sobre aspectos da natureza – Ansichten der Natur mit wissenschaftlichen Erläuterungen, publicado em 1808 – que o estudo da vegetação começou a se desenvolver com maior celeridade. Humbolt é considerado o pai da Fitogeografia ou Geografia Botânica, ou Geobotânica ou Geografia das Plantas a partir de seu artigo Ideen zu einer Physiognomik der Gewächse sobre fisionomia dos vegetais, publicado em 1806. Humboldt publicou, de 1845 a 1848, uma série de tratados sobre ciência e natureza sob o título Kosmos, que juntamente com as suas outras inúmeras obras influenciaram muitos outros naturalistas e levou à formação de novas gerações de estudiosos de Geografia Física, Botânica e outras disciplinas.

Alguns dos naturalistas que se destacaram como seguidores de Humboldt no campo da Fitogeografia foram: a) Grisebach (1872), que pela primeira vez grupou as plantas por um caráter fisionômico definido, como florestas, campo e outros, designando-os como formações; b) Engler e Prantl (1887-1909), que iniciaram a moderna classificação sistemática das plantas; c) Drude (1897), que dividiu a Terra em zonas, regiões, domínios e setores de acordo com os endemismos encontrados na vegetação; e d) Schimper (1903), que no fim do Século XIX tentou, pela primeira vez, unificar as paisagens vegetais mundiais de acordo com as estruturas fisionômicas. Este último autor tem sido considerado, por esse motivo, o fundador da moderna Fitogeografia.

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