Segunda-Feira, 21 de Agosto de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


verdade@cpovo.net


SER OU NÃO SER... EIS A QUESTÃO

Hoje quero falar da vida. Nem de meio ambiente e nem de Educação especificamente, mas sim de um sentimento que me corrói. Talvez assim possa viver melhor comigo mesmo daqui pra frente. Desejo ser eu mesmo em minha essência, em minhas próprias palavras. Desta forma, entendo que o lugar mais certo pra expressar todo um sentimento que toma conta de mim e que parece aumentar a cada momento é aqui. Ao acordar, percebi que este sentimento estaria entrando em erupção a qualquer momento, e que precisava tomar uma decisão.

Trabalho há aproximadamente 15 anos como colunista deste jornal, que pra mim é o melhor jornal desta cidade, principalmente por seu caráter jornalístico sério e digno de reflexões imparciais e de muita qualidade. Neste período, nunca recebi um centavo por minhas reflexões, sejam elas autorais ou não. Ao contrário, sou tão fã deste periódico que nos últimos anos tenho pagado pela sua assinatura para recebê-lo em casa toda sexta feira e para poder me deliciar com sua leitura.

Cheguei à cidade de Alvorada no ano de 1999 e desde então passei a amá-la e respeitá-la tentando a cada dia cultivar em meus alunos, amigos e colegas o espírito de preservação e conservação da natureza. Aqui, desde então, vi o meio ambiente se transformar, se recriar, se regenerar, se degradar... Vi o Cinturão Verde clamar por socorro, vi a Lagoa Negra desaparecer, vi nossos rios e arroios sendo maltratados, vi a Praça José Lutzemberger ser criada e meses depois imaginei que nosso maior ambientalista gaúcho deveria estar se remoendo em seu caixão com tamanho desleixo pela sua preservação. Hoje, vejo que esta mesma praça se reergueu, como Lutzemberger fez com o Parque de Itapuã. Vi a Lagoa do Cocão sendo exaltada pela sua beleza em tantos eventos, mas ao mesmo tempo vi pessoas recolhendo resíduos que outras pessoas ali descartavam, e que aos poucos a tem tornado cada vez mais doente. Penso em minhas reflexões, que se a mesma fosse uma criança provavelmente choraria constantemente, escondida, por não ter o amor e o carinho devido pela própria população e por seus gestores. Algo semelhante ao que acontece com nossos animais de rua tão sofridos e abandonados. Vi o lixo se espalhando pelo chão, vi milhares de pessoas que pouco se importam com isso, e vi centenas de pessoas que lutam para reverter esta situação, com a força de milhares. Vi nossa fauna fugir. Vi nossa fauna morrer. Vi tanta coisa que já não sei se o pouco que pude ofertar em minha plenitude foi suficiente para me fazer pensar que valeu a pena. Queria ter visto mais. Mas quem se importa com tudo isso...

Aos 45 anos de idade, e ainda com tanto trabalho e luta para participar, me pergunto a cada momento o que vou fazer daqui pra frente. Aonde vou dispender minhas últimas forças até envelhecer. O fato é que trabalho como professor em duas escolas municipais, além de consultor ambiental e assessor pedagógico de minha própria empresa. A falta total de tempo, num mundo onde incompreensivelmente vivemos intensamente a busca de recursos para nos satisfazer e nos manter vivos, me faz hoje não conseguir mais ser autoral em minhas colunas. Não pelo esgotamento de assuntos, mas sim pelo esgotamento de trabalho. Tenho minha linda família para criar, apoiar e ajudar. Tenho minha linda esposa para não decepcionar. Tenho meu amado pai em outra esfera para honrar. Talvez não ser autoral de vez em quando não seja o suficiente para estar aqui com vocês, toda sexta feira. Mas quem se importa. Quero poder medir este sentimento através de meus leitores. Me escreva, se achar que vale a pena (marcoverdade@gmail.com), porque se não houver ninguém para se importar com isso, talvez seja a hora de rever a nossa luta.

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