Terça-Feira, 25 de Julho de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


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(Foto: )


MEDICINA TRADICIONAL ASIÁTICA AJUDA A MOVER CAÇA ILEGAL DE ONÇAS NA AMAZÔNIA

Mais uma notícia triste nos abala neste final de 2016... Caçadores ilegais estão abatendo onças na região da Amazônia boliviana para traficar suas presas - usadas em supostos tratamentos de medicina tradicional asiática ou como amuletos. Contrabandistas pagam a caçadores até US$ 100 (R$ 340) por dente. Autoridades suspeitam que o crime também ocorra em mais países sul-americanos, inclusive no Brasil. Na Bolívia foram apreendidos 262 dentes entre 2014 e 2016. Para autoridades locais, isso significa que ao menos 65 felinos foram abatidos ilegalmente no período - pois cada um possui quatro presas grandes. Ativistas da ONG boliviana Fobomade dizem que o número pode ser maior. O governo boliviano diz que o fenômeno não é novidade na Região Amazônica e que o grande número de casos registrados no país seria fruto de campanhas nacionais para prender traficantes de animais e conscientizar a população. Embora não tenha havido apreensões desse tipo no Brasil até agora, o Ibama diz suspeitar que caçadores e contrabandistas ligados ao tráfico de dentes de onça para o mercado asiático operem no país.


Na Bolívia, as onças são chamadas de jaguares, na tradução do espanhol. Elas não são caçadas diretamente pelos contrabandistas. Segundo a DGBAP (Direção Geral de Biodiversidade e Áreas Protegidas da Bolívia) e a Fobomade, indígenas e camponeses que moram na região da floresta são aliciados para abater os animais. Por vezes, para chegar a esses caçadores locais, contrabandistas pagam por anúncios em emissoras de rádio de cidades pequenas, localizadas próximo à floresta amazônica. Os anúncios indicam um endereço onde eles podem ser vendidos. “Os contrabandistas fazem isso por um dia e depois mudam de domicílio, então fazem (o anúncio) em outro lugar e mudam de domicílio de novo. É uma máfia”, diz à BBC Brasil Teresa Peres, chefe da DGBAP. “O que mais se detectou é que os compradores são de procedência asiática”, disse ela. Segundo ela, em uma das operações mais bem sucedidas do órgão, agentes da DGBAP e policiais se disfarçam de vendedores de dentes e se apresentam em um local indicado pela propaganda do rádio. Isso ocorreu em maio deste ano em Rurrenabaque, cidade próxima ao Parque Nacional de Madidi, uma das maiores reservas florestais da Bolívia. Dois suspeitos de cidadania chinesa foram detidos com diversos dentes de onça pelos agentes disfarçados. Esse tipo de ação policial continua ocorrendo, assim como fiscalizações nas florestas, segundo Peres. Mas uma boa parte das apreensões ocorre durante inspeções de pacotes nos correios da Bolívia. Isso porque, para tentar evitar prisões em flagrante, os criminosos enviam os dentes e ossos para outras cidades ou países pelo correio.

A legislação local é crucial no combate à caça ilegal, segundo autoridades. Segundo Teresa Peres, na Bolívia, suspeitos estão sendo processados com base em uma lei que prevê de um a seis anos de prisão para esse tipo de crime. No Brasil, segundo Roberto Cabral, a legislação prevê penas em torno de seis meses a um ano de prisão. Em muitos casos a punição é uma multa e a prisão acaba sendo convertida em penas alternativas. “Por causa da fragilidade da legislação conseguimos identificar os caçadores, mas muitos continuam na ativa”, disse o chefe de fiscalização do Ibama. (Fonte: G1)

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