Domingo, 19 de Novembro de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


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Escolas estimulam diálogo sobre suicídio

Nos últimos dias, milhares de pais e mães ganharam motivos para se preocupar em relação ao filhos adolescentes. Isso porque temas delicados vieram à tona com força a partir não apenas de suposta disseminação do desafio da “baleia azul”, que incentiva atitudes de isolamento e automutilação para, ao fim, pregar o suicídio, mas também da estreia do seriado “13 Reasons Why”, disponível no Netflix, no qual uma jovem relata as razões pelas quais tirou a própria vida. Neste panorama, o papel dos pais aparece mais uma vez com destaque na avaliação dos especialistas. É tarefa dos pais estar por perto. Eles precisam estar próximos para perceber as mudanças. Neste sentido, é preciso que limites sejam estabelecidos, mesmo com todas as dificuldades de se impor barreiras em uma época na qual o acesso ao conteúdo à Internet beira o irrestrito. Assim, os pais precisam ter conhecimento de quais os programas que seus filhos estão assistindo, quais os sites têm acessado, quais os círculos de amizade.

Por mais delicado que o tema seja, há consenso entre os especialistas de que o suicídio entre jovens deva ser tratado sem restrições, sob o risco de ser eternamente um tabu, como ocorre atualmente. Suicídio é uma das maiores causas de morte de jovens depois de acidentes de trânsito. Isso precisa ser falado e tratado como política de saúde pública. Em um cenário no qual pipocam por todos os lados informações sobre novos casos envolvendo jovens, há dificuldade em se confirmar a veracidade de muitas delas, como aquelas envolvendo o “desafio da baleia azul”. Assim, surge como natural a preocupação dos pais em identificar sinais de comportamento de risco entre os filhos. É preciso, no entanto, ter em mente que algumas atitudes são típicas da adolescência e não podem ser confundidos com indicativos de uma predisposição para suicídio.

Os especialistas alertam que as situações que exigem um cuidado maior são, por exemplo, mudanças bruscas de comportamento, isolamento, falta de amigos e excesso de tempo dedicado a filmes ou jogos com temáticas ligadas à violência. Uma queda no rendimento escolar e sinais de tristeza, como choro repentino, são outros indicativos. Dada à complexidade do tema, não é de se esperar respostas objetivas acerca das razões que levam adolescentes a entrar em um suposto desafio que lida com sofrimento e invariavelmente termina com a morte. O psiquiatra, psicanalista e membro da SPPA, Carlos Augusto Ferrari, contudo, faz algumas observações. A primeira é que o problema pode parecer simples aos olhos de pessoas mais experientes, mas a realidade do adolescente é outra. “Quem tem um juízo mais crítico está preservado, mas para quem não tem, é quase como um feitiço”, afirma, lembrando que neste caso pouco importa se o feiticeiro existe, se está de alguma forma materializado ou escondido no anonimato da Internet.

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