Sábado, 18 de Novembro de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


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A maior concentração de lixo plástico do Mundo

Uma ilha desabitada do Pacífico Sul é o local com a maior densidade de lixo plástico do mundo. A Ilha Henderson, parte do arquipélago de Pitcairn, um território do Reino Unido, tem um número de pedaços de plástico em suas praias estimado em 37,7 milhões. O motivo? Henderson fica no caminho de uma corrente marinha, e acaba recebendo lixo jogado de navios e vindo da costa oeste da América do Sul. Cientistas britânicos e australianos, que mapearam o estado da poluição na ilha, esperam que seu estudo faça as pessoas “repensarem seu relacionamento com o plástico”. Eles estimam que haja uma densidade de 671 itens por metro quadrado e um total de 17 toneladas. “Uma grande parte dos detritos que encontramos na ilha era o que erradamente chamamos de descartáveis”, disse a bióloga Jennifer Lavers, da Universidade da Tasmânia (Austrália). O estudo, publicado no periódico científico “Proceedings of the National Academy of Sciences”, descreve como o arquipélago, distante mais de 5,5 mil km da costa do Chile, funciona como uma espécie de “pia” para o lixo do mundo, localizado perto de um “ralo” chamado Giro do Pacífico Sul – o maior sistema de correntes marítimas do globo. Além de restos de objetos ligados à pesca, as areias em Henderson estão salpicadas de itens mais familiares do dia a dia, como escovas de dentes, isqueiros e lâminas de barbear. “Caranguejos estão usando tampas, potes e jarras de plástico como novas casas”, disse Lavers. O plástico é velho, frágil e tóxico.” A cientista contou ainda que foi encontrado um grande número de capacetes plásticos, do tipo usado na construção civil. Henderson faz parte de uma lista de lugares do mundo reconhecidos como patrimônio da humanidade pela Unesco, a agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, que descreve “praias intocadas” e “paisagens exuberantes”. Vale lembrar que o plástico é especialmente devastador para os oceanos porque boia e é para lá de durável - uma garrafa, por exemplo, demora uma média de 450 anos para degradar.

Lagarta comedora de plástico

Uma lagarta que come sacolas de plástico pode ser a chave para combater a poluição ambiental, segundo cientistas. Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, descobriram que a larva de mariposa, que se alimenta da cera da colmeia de abelhas, também pode degradar plástico. Experimentos mostraram que o inseto pode quebrar as ligações químicas do plástico de forma semelhante à digestão da cera de abelha. Por ano, cerca de 80 milhões de toneladas de polietileno são produzidas no mundo. Esse tipo de plástico, comum em material hospitalar e embalagens domésticas, leva cerca de 50 anos para se decompor na natureza. Entretanto, as lagartas de mariposa (Galleria mellonella) podem fazer buracos na sacola de plástico em menos de uma hora. O bioquímico Paolo Bombelli, da Universidade de Cambridge, afirma que a lagarta talvez seja o ponto de partida. “Precisamos entender os detalhes de como o processo ocorre. Esperamos ter uma solução técnica para minimizar o problema do acúmulo de resíduos de plástico.” A descoberta é de Bombelli, em parceria com Federica Bertocchini, da Espanha. Com o trabalho, eles querem desvendar o processo químico por trás da degradação natural do plástico. Eles dizem acreditar que os micróbios da lagarta – assim como do inseto em si – possam desempenhar um papel na degradação do plástico. “Essa descoberta poderia nos livrar dos resíduos de plástico, trazendo uma solução para salvar nossos oceanos, rios e todo o meio ambiente das consequências inevitáveis do acúmulo desse material”, disse Bertocchini. (Fonte: G1)

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