Sábado, 18 de Novembro de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


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Em busca do ser vivo mais velho do Planeta

As efêmeras, insetos semelhantes a pequenas libélulas, vivem por apenas um dia; os humanos podem chegar, com sorte, a um século de vida. Mas qual é o organismo vivo mais velho do mundo? Para cientistas, essa tarefa, de tentar precisar a idade de espécies longevas, é um desafio. Sob os galhos de uma castanheira de 300 anos no Jardim Botânico Real em Londres, o diretor do local, Tony Kirkham, diz que as árvores são capazes de viver mais que animais mas que é preciso um trabalho de detetive para encontrar as mais velhas e estimar sua idade. “Primeiro, podemos olhar registros antigos para descobrir se uma árvore estava plantada lá numa determinada data. Então, olhamos para pinturas e outros trabalhos de arte para ver se a árvore já estava presente. E alguns mapas antigos também podem claramente mostrar as árvores do local, especialmente as importantes”. Uma maneira conhecida de definir a idade de uma árvore é contar o número de anéis no núcleo do tronco: há um anel por ano de crescimento. É um processo conhecido como dendrocronologia e só funciona para certos tipos de árvore - as que têm um crescimento anual acelerado. O problema óbvio é que contar os anéis geralmente envolve cortar a árvore. Arboricultores contornam esse problema usando um tipo de furadeira que permite remover parte do núcleo para contar os anéis sem levar a árvore à morte. É uma arte delicada; Tony conta um caso ocorrido nos anos 60, quando a broca de um cientista quebrou dentro de um pinheiro do tipo bristlecone do qual queria retirar uma amostra. O equipamento é caro, e para ajudá-lo a recuperar o instrumento perdido, um guarda-florestal cortou a árvore. Uma vez derrubada, a árvore pôde ser facilmente analisada: tinha 5 mil anos.
Uma equipe de pesquisadores americanos mantém uma lista, chamada Lista Velha, de árvores antigas oficialmente datadas. Entre elas, está uma figueira sagrada no Sri Lanka que tem pelo menos 2.222 anos, e um cipreste-da-patagônia, no Chile, com 3.627 anos – é tão velho quanto os monumentos pré-históricos de Stonehenge, na Inglaterra. Um pinheiro bristlecone batizado de Matusalém, encontrado nas montanhas da Grande Bacia, na Califórnia, nos EUA, tem 4.850 anos. Mas a árvore mais velha da lista, um pinheiro da mesma espécie na mesma localidade, ainda não batizado, tem um núcleo sugerindo uma idade de 5.067 anos. A árvore, desgastada pelo tempo, viveu a ascensão e a queda do Império Romano. Já estava lá quando os egípcios antigos começaram a construção das pirâmides.
Com relação aos animais, temos espécies vertebradas complexas que parecem não envelhecer, como as tartarugas das Ilhas de Galápagos (Equador) ou uma salamandra das cavernas chamada Olm. O quanto você vive depende, em parte, do seu lugar no mundo; seu nicho ecológico. Os organismos no topo da cadeia alimentar têm poucos predadores, então têm mais chances de viver mais e passar essa característica para outras gerações. O clima frio também tem importância: as esponjas-de-vidro da Antártida, por exemplo, são consideradas os “animais vivos mais velhos” da Terra, com uma longevidade estimada em cerca de 15 mil anos. As estimativas são passíveis a erro, mas as esponjas da Antártida crescem lentamente por causa do frio, e se encaixam no modelo de criaturas de crescimento lento com períodos de vida mais longos. No entanto, o organismo vivo mais velho – segundo medições mais precisas – continua sendo o pinheiro bristlecone da Grande Bacia, na Califórnia, o Pinus longaeva. Para os especialistas, entretanto, há muito a ser descoberto nessa área, e é provável que o organismo mais velho do planeta sequer foi encontrado. (Fonte: G1)

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