Sexta-Feira, 22 de Setembro de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


verdade@cpovo.net


Cobertura de nuvens diminui

Uma equipe de cientistas da Universidade de Bristol, na Inglaterra, publicou uma pesquisa nesta semana na “Science Advances” e diz que há um derretimento consistente das camadas de gelo da Groenlândia desde 1995. De acordo com os autores, há uma diminuição acentuada na cobertura das nuvens durante o verão.

A pesquisa mostra que a diminuição de 1% na cobertura das nuvens durante a estação mais quente do ano equivale a 27 bilhões de toneladas de gelo derretido extra na Groenlândia -- quantidade equivalente ao abastecimento anual doméstico de água dos Estados Unidos.

Desde 1995, os cientistas descobriram que a região perdeu um total de 4 trilhões de toneladas de gelo, e que passou a ser a maior contribuinte para o aumento do nível global do mar. O estudante de doutorado Stefan Hofer, da Faculdade de Ciências Geográficas da Universidade de Bristol é o principal autor da pesquisa:

Emissões de gases

Se a emissão de gases de efeito estufa não começar a cair até 2020, pode ser tarde demais para a humanidade conseguir cumprir a meta climática estabelecida pelo Acordo de Paris: a de limitar o aumento da temperatura global a menos de 2ºC em relação aos níveis pré-industriais. Este é o alerta feito por seis cientistas em um comentário publicado na revista “Nature” nesta semana.

O texto -- cuja principal autora é Christiana Figueres, ex-secretária-executiva da Convenção-Quadro da ONU sobre Clima -- cita um relatório de abril que concluiu que, se as emissões continuarem a crescer após 2020, ou até mesmo pemanecerem no mesmo nível, as metas de temperatura estabelecidas no Acordo de Paris se tornarão quase inatingíveis.

Para que o planeta não ultrapasse a temperatura estabelecida no acordo, a humanidade poderia emitir, no máximo, entre 150 e 1.050 gigatoneladas de CO2. Caso as emissões continuem estáveis, esse limite pode ser ultrapassado em quatro anos. Para cumprir o acordo de Paris, as emissões de CO2 teriam de cair a quase zero assim que o limite fosse ultrapassado. Para evitar o impacto econômico dessa medida drástica, o ideal é que a queda de emissões ocorra de forma gradual.
Segundo os autores do artigo, é possível atingir a meta caso as emissões comecem a cair a partir de 2020, ou seja, em três anos.

Às vésperas da cúpula do G20 em Hamburgo, na Alemanha, que ocorrerá entre 7 e 8 de julho, os cientistas pedem para que os líderes das maiores economias do mundo levem em consideração a importância de que o ano de 2020 seja um ponto de virada em relação às emissões de gases de efeito estufa.

“Diminuir as emissões globalmente é uma tarefa monumental, mas pesquisas nos mostram que isso é necessário, desejável e alcançável”, diz o artigo.

Carvalhos e castanheiras salvam sítio em Portugal

Nas últimas semanas, um incêndio de grandes proporções matou 64 pessoas e deixou mais de 200 feridos em Portugal. Mas um sítio em Figueiró dos Vinhos, na região onde ocorreu a tragédia, ficou supreendementemente ileso. Uma foto publicada no Facebook nesta semana mostra como o sítio se tornou uma pequena ilha verde em meio às cinzas deixadas pelas chamas.

O que mais chama a atenção na foto é o fato de dezenas de árvores e uma casa se manterem intactas em meio ao cenário de devastação. É como se uma barreira formada por carvalhos, castanheiras, oliveiras e sabugueiros tivesse impedido o avanço do fogo.

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