Quinta-Feira, 19 de Outubro de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


verdade@cpovo.net


O homem e a Natureza
Fala-se muito, atualmente, em ecologia, em preservação da natureza, em cultura do verde. Mas isso é tarefa específica de algumas entidades ou cada um de nós pode dar sua contribuição?

“A idéia de que a natureza existe para servir o homem seria apenas ingênua, se não fosse perigosamente pretensiosa. Essa crença lançou raízes profundas no espírito humano, reforçada por doutrinas que situam corretamente o “homo sapiens” no ponto mais alto da evolução, mas incidem no equívoco de fazer dele uma espécie de finalidade da criação. Pode-se dizer com segurança que nada na natureza foi feito para alguma coisa, mas pode-se crer em permuta e equilíbrio entre seres e coisas. A aquisição de características muito específicas como a linguagem, raciocínio lógico, memória pragmática, noção de tempo e capacidade de acumular não fizeram do homem um ser superior no sentido absoluto, mas apenas mais bem dotado para determinados fins. Isso não lhe confere autoridade para pretender que todo o resto do universo conhecido deve prestar-lhe vassalagem, como de fato ainda pretende a maioria das pessoas com poder decisório no mundo”.
No Brasil, particularmente, onde mal acabamos de descobrir as delícias do desenvolvimento, por baixo de um certo culto da natureza que está na moda, sobretudo nos grandes centros, ignoramos tudo sobre a vida natural, seus direitos e significado. Um exemplo disso é o desinteresse das grandes massas pela preservação de espécies animais e vegetais brasileiras que caminham para o desaparecimento. A caça à baleia, por exemplo, é cercada de significação, no caso. O extermínio desse animal imenso, o maior existente em todos os tempos, normalmente pacífico e inteligente, revela toda a indiferença de uma sociedade em que cada unidade vive isolada no seu egoísmo e na sua ignorância profundos. Já se falou muito a respeito de baleias, e uma cortina de insensibilidade baixou sobre o problema, como costuma acontecer sempre que examinamos uma questão apenas como passatempo. (...)

Não é bastante explorar a destruição da ecologia na publicidade de imóveis, das pastas dentifrícias e dos produtos destinados aos consumidores jovens em geral. Não basta pedir às crianças dissertações sobre o Dia da Árvore, ou ensinar-lhes cuidados com plantinhas tenras. É preciso dar a cada homem a consciência do seu lugar no conjunto inseparável da vida natural. Essa tarefa incumbe a cada indivíduo, não a associações ou entidades. A partir do conhecimento da natureza de si mesmo, da natureza que existe em nós, do nosso relacionamento com ela e das contradições existentes nos nossos planos a favor da ecologia, podemos fazer a nossa parte. Muito mais humildemente do que gostaríamos, talvez, mas com certeza de forma bem mais eficiente (...)

Adaptação do texto do jornalista Luiz Carlos Lisboa

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