Quinta-Feira, 25 de Maio de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


verdade@cpovo.net


A ÁGUA E O SER HUMANO

* Incrível como esta pequena frase pode significar nos dias de hoje uma dualidade emocional tão representativa. A relação do ser humano com a água vem adquirindo com o tempo laços cada vez mais indissociáveis de prazer e ao mesmo tempo de desespero. Em dias de forte calor, nada mais prazeroso do que um copo de água bem gelado, uma ducha fria ou até mesmo um refrescante banho de piscina. Em dias de chuva intensa rezamos, choramos e com o auxílio de baldes e outras parafernálias repudiamos o encontro inesperado diante de sua imensa fúria. Tornou-se uma relação tão intensa de amor e ódio que poderia provocar inveja no pior dos relacionamentos humanos. Sua magnitude já rendeu tantas capas de jornais, revistas e noticiários de televisão que indiscutivelmente passou a ser uma das maiores celebridades do mundo contemporâneo, se não a maior. Sem falsa modéstia poderíamos atribuir o nome de nosso planeta ao seu nome, tendo em vista que está presente em aproximadamente 70% de sua constituição, nas mais diferentes formas. Está presente nos alimentos que sustentam a biodiversidade. Está presente na constituição dos próprios seres vivos, quase em sua totalidade. E apesar desta imensa grandeza, nos deparamos cada vez mais com a incompreensível racionalidade humana capaz de poluir e degradar os ambientes aquáticos. Este é um dos grandes equívocos da humanidade. Somos incapazes de pensar nas conseqüências de nossas atitudes. Estamos convictos de que individualmente não faremos a diferença, isentando-se do erro, sem pensar na força da coletividade, e incapazes de perceber a sólida relação que existe entre uma gota e uma cachoeira. Somos incapazes também de perceber que o ambiente responde as nossas atitudes da mesma forma e com a mesma intensidade pela qual o ignoramos. Enquanto buscamos o controle de tudo e temos a convicção de que tudo existe em função do homem, o ambiente reage e o incontrolável passa a dominar o nosso cotidiano. A água é incontrolável. A água é independente. É o início e talvez o fim de tudo. Indiscutivelmente é o nosso maior predador.

A ENCHENTE EM ALVORADA

* Desde o final do ano passado me tornei morador do bairro Americana, em Alvorada, hoje assolado de forma devastadora pela água. Tenho acompanhado de perto nos últimos dias as angústias da comunidade em função do aumento do nível da água e sua tentativa desesperada de salvar móveis, eletrodomésticos e demais utensílios que ainda possam ser utilizados. Apesar do apoio prestado pela Defesa Civil, Prefeitura e Corsan na tentativa de reduzir os efeitos da chuva e minimizar a situação de alagamento na região do Bairro Americana, o retrato da destruição é assustador. Duas caçambas e um caminhão da Prefeitura e outros três caminhões da empresa EDL Terraplenagem estão operando para retirada de móveis e pessoas das residências prejudicadas pela chuva. Equipes das secretarias municipais, Corpo de Bombeiros, Brigada Militar e Guarda Municipal também estão auxiliando nos trabalhos. O número de desalojados já chegou a 635 pessoas. Apesar deste quadro desolador, o que mais chama a atenção é a solidariedade da população, que não mede esforços para ajudar os mais necessitados. As maiores necessidades de doações no momento são de cobertores, colchões e roupas para crianças de até dez anos, além de itens de higiene e limpeza. As doações podem ser feitas no Ginásio Municipal Tancredo Neves e diversos pontos de coleta da Campanha do Agasalho no município. Que Deus nos proteja e que estejamos preparados para o terrível mês chuvoso de setembro que se aproxima.

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