Sábado, 16 de Dezembro de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


verdade@cpovo.net


* Esta semana concedi uma entrevista para meus alunos da oitava série da Escola Municipal de Ensino Fundamental Frederico Dihl, que estão confeccionando um jornal para ser distribuído na comunidade. Após 15 anos de profissão no município, gostaria de transcrever em minha coluna alguns trechos desta entrevista para compartilhar com o amigo leitor.

* Ser professor é fascinante, mas ao mesmo tempo pode ser muito desgastante. Quando você tem tempo para elaborar diariamente suas atividades visando proporcionar dinâmicas atrativas e interativas para seus alunos, a educação torna-se contagiante principalmente pela descoberta de que existe um universo enorme de possibilidades ao seu alcance. Porém, quando o professor se vê mergulhado em uma infinidade de atribuições e compromissos profissionais que impedem a inserção de qualidade em suas atividades, aos poucos poderá começar a se tornar justamente o contrário daquilo que gostaria ou almejaria ser: um professor tradicional, com pouca energia, sem estímulo e principalmente sem perspectivas de mudança. Desta forma, o profissional deverá estar preparado para enfrentar os desafios desta profissão tão importante, sabendo que o limite entre o céu e o inferno está muito mais atrelado a si próprio do que necessariamente da postura de seus alunos.

* Sobre a questão salarial, não vejo como uma questão de ser justo ou não ser justo. Até porque todos aqueles que ingressam nesta profissão sabem exatamente o valor da remuneração oferecido bem antes de prestar concurso para exercer a profissão. Apesar da enorme diferença salarial que existe entre professores vinculados a instituições privadas e professores da Rede Municipal e Estadual de Ensino no Brasil, “ganhar pouco e trabalhar muito” é uma realidade antiga e bastante indigesta para quem sonha em melhorar progressivamente sua renda. Entendo que determinados profissionais ganham muito pouco pelo que fazem, mas também entendo que este “muito pouco” muitas vezes é muito para aqueles que nada ou pouco fazem. Bons professores em sua essência deveriam priorizar sempre o aluno oferecendo ao mesmo toda a sua dedicação e energia independente de qualquer fator externo que o possa estar desagradando. Faz parte da ética e do caráter deste profissional. A insatisfação salarial do professor não pode transpor os limites do contexto educacional. Lutar incessantemente pela melhoria das condições de trabalho e pela valorização do educador no cenário profissional é muito importante, mas mais importante do que isto é estar convicto de que passar a vida inteira reclamando de seu salário não é a solução para este problema. Neste caso, repensar a escolha profissional optando por um emprego mais rentável e com melhor expectativa de vida seria o mais adequado.

* Apesar de trabalhar 60 horas por semana e consequentemente sentir que já não tenho mais a mesma energia que tinha quando comecei a lecionar, ainda me sinto muito feliz pela oportunidade de estar com meus alunos todos os dias. Obviamente gostaria de ter mais tempo para planejar as minhas atividades. Lembro que quando comecei a trabalhar em Alvorada organizava meus encontros com dedicação exclusiva. Hoje, divido esta dedicação com minha empresa de consultoria ambiental e assessoria pedagógica, o que de certa forma acaba interferindo diretamente na qualidade da execução de minhas atividades em sala de aula. Mesmo assim, aprendi muito com minha profissão e percebo que ainda tenho muito que aprender com ela. Durante os últimos 15 anos, nunca sofri rotina de trabalho em meu cotidiano. Nunca existiu neste período retorno financeiro que pudesse ser mais prazeroso do que o retorno humano vivenciado com meus alunos. Busquei intensamente viver a ideologia de que o segredo da felicidade é fazer do seu dever o seu maior prazer. Aprendi com isso a valorizar ainda mais o profissional da educação e seu amor incondicional por esta profissão.

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