Segunda-Feira, 24 de Abril de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


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O HOMEM E A NATUREZA

* Fala-se muito, atualmente, em ecologia, em preservação da natureza, em cultura do verde. Mas isso é tarefa específica de algumas entidades ou cada um de nós pode dar sua contribuição? Acompanhe no texto “O Homem e a natureza” a opinião do jornalista Luiz Carlos Lisboa.

* “A ideia de que a natureza existe para servir o homem seria apenas ingênua, se não fosse perigosamente pretensiosa. Essa crença lançou raízes profundas no espírito humano, reforçada por doutrinas que situam corretamente o “Homo sapiens” no ponto mais alto da evolução, mas incidem no equívoco de fazer dele uma espécie de finalidade da criação. Pode-se dizer com segurança que nada na natureza foi feito para alguma coisa, mas pode-se crer em permuta e equilíbrio entre seres e coisas. A aquisição de características muito específicas como a linguagem, raciocínio lógico, memória pragmática, noção de tempo e capacidade de acumular não fizeram do homem um ser superior no sentido absoluto, mas apenas mais bem dotado para determinados fins. Isso não lhe confere autoridade para pretender que todo o resto do universo conhecido deve prestar-lhe vassalagem, como de fato ainda pretende a maioria das pessoas com poder decisório no mundo.”

* No Brasil, particularmente, onde mal acabamos de descobrir as delícias do desenvolvimento, por baixo de um certo culto da natureza que está na moda, sobretudo nos grandes centros, ignoramos tudo sobre a vida natural, seus direitos e significado. Um exemplo disso é o desinteresse das grandes massas pela preservação de espécies animais e vegetais brasileiras que caminham para o desaparecimento. A caça à baleia, por exemplo, é cercada de significação, no caso. O extermínio desse animal imenso, o maior existente em todos os tempos, normalmente pacífico e inteligente, revela toda a indiferença de uma sociedade em que cada unidade vive isolada no seu egoísmo e na sua ignorância profundos. Já se falou muito a respeito de baleias, e uma cortina de insensibilidade baixou sobre o problema, como costuma acontecer sempre que examinamos uma questão apenas como passatempo. (...)

* Não é bastante explorar a destruição da ecologia na publicidade de imóveis, das pastas dentifrícias e dos produtos destinados aos consumidores jovens em geral. Não basta pedir às crianças dissertações sobre o Dia da Árvore, ou ensinar-lhes cuidados com plantinhas tenras. É preciso dar a cada homem a consciência do seu lugar no conjunto inseparável da vida natural. Essa tarefa incumbe a cada indivíduo, não a associações ou entidades. A partir do conhecimento da natureza de si mesmo, da natureza que existe em nós, do nosso relacionamento com ela e das contradições existentes nos nossos planos a favor da ecologia, podemos fazer a nossa parte. Muito mais humildemente do que gostaríamos, talvez, mas com certeza de forma bem mais eficiente (...)

ONDAS DE CALOR SERIAM INEVITÁVEIS ATÉ 2040

* Quaisquer que sejam os esforços feitos para limitar as emissões de gases de efeito estufa (GEE), ondas de calor mais fortes e frequentes seriam inevitáveis nos próximos 30 anos, segundo estudo da revista científica Environmental Research Letters. “Até 2040, a frequência de episódios de calor extremos vai aumentar, independente das emissões de GEE na atmosfera”, resumiu o cientista Dim Coumou, do Instituto Postdam de pesquisas sobre os impactos climáticos. As regiões tropicais serão as mais afetadas, uma tendência já observada entre 2000 e 2012, destacou o estudo. “Estes eventos extremos podem ter um impacto muito prejudicial na sociedade e nos ecossistemas, provocando mortes relacionadas com o calor, incêndios florestais e perdas de produção agrícola”, advertiu Dim Coumou. (Fonte: UOL)

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