Segunda-Feira, 24 de Abril de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


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CADA PESSOA DESPERDIÇA POR ANO QUASE 300 QUILOS DE ALIMENTO
* A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) denunciou nesta quarta-feira (2) que, em média, cada habitante da Terra desperdiça quase 300 quilos de alimentos por ano e, ao mesmo tempo, mais de 800 milhões de pessoas passam fome. Durante uma conferência regional da FAO para Europa e Ásia Central, focada no desperdício de alimentos, o diretor-geral da organização, José Graziano da Silva, destacou que 1.300 milhões de toneladas de alimentos são perdidas a cada ano. “Se os desperdícios e as perdas pudessem ser reduzido simplesmente à metade, o aumento da produção de alimentos para suprir a população mundial em 2050 seria de só 25%, em vez dos 60% estimados atualmente”, explicou Graziano à Agência Efe. Segundo dados da FAO, cada habitante da Terra desperdiça em média 280 quilos de alimentos por ano, enquanto ao mesmo tempo 842 milhões de pessoas, mais de 10% da população do planeta, passam fome diariamente. A perda de alimentos acontece principalmente “em fazendas, durante o processamento, o transporte e o armazenamento”, e pela “falta de regulação” que afeta também a segurança alimentar.

CONFERÊNCIA DE BUCARESTE
* A conferência de Bucareste reúne esta semana mais de 300 delegados de meia centena de países da Europa e da Ásia Central, que discutem como reduzir a perda de alimentos, como fomentar a agricultura familiar e como combater os efeitos da mudança climática sobre a produção agrária. “Precisamos aumentar nossos esforços para diminuir (os efeitos), para nos adaptarmos e, principalmente, para mudar para um sistema sustentável de alimentos”, manifestou Graziano em referência ao mais recente relatório do Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudança Climática, o IPCC. “Esta é uma de nossas principais responsabilidades. Os mais pobres do mundo são especialmente vulneráveis à mudança climática”, discursou o diretor-geral no plenário. Mas, por outro lado, relacionou a fome e os movimentos migratórios vindos da África com o corte dos fundos da cooperação internacional. Nesse sentido Graziano pediu que os Estados europeus voltem a ajudar mais seus países vizinhos. “A Europa deve recuperar seu papel de importante doadora”, afirmou o ex-ministro do governo Lula e um dos articuladores do programa Fome Zero.

ONDAS DE CALOR PODEM DIMINUIR CULTIVO DE ALIMENTOS NO FUTURO
* Ondas de calor podem desestabilizar o abastecimento de comida no mundo, por afetar as plantações de milho, trigo e soja. Essa foi a constatação de um estudo publicado na quinta-feira no periódico Environmental Research Letters. O trabalho é o primeiro a estimar o impacto do aumento de temperatura e da emissão de dióxido de carbono nessas culturas. Pesquisas recentes sobre o assunto já mostraram, por exemplo, que mudanças climáticas podem reduzir a produção de milho em escala global, mas nenhuma havia calculado os efeitos das ondar de calor, que, segundo o novo estudo, podem dobrar as perdas na colheita. “Temperaturas extremas podem afetar todas as fases do plantio, mas principalmente o período de floração da planta”, diz a coordenadora do estudo, Delphine Deryng, da Universidade de East Anglia, na Inglaterra. “Nesse estágio, temperaturas extremas podem levar à esterilidade do pólen e à redução da produção de sementes, diminuindo a produtividade da plantação.” A pesquisa também identificou as áreas em que as ondas de calor seriam esperadas e que causariam maiores danos à colheita. Algumas das mais afetadas são cruciais para a produção agrícola, como o cinturão do milho nos Estados Unidos. Para avaliar os resultados, os cientistas descartaram o efeito da fertilização por gás carbônico, que consiste em aumentar de 40 a 50% os níveis do gás em áreas delimitadas de plantio. Isso pode ajudar as plantas a gerenciar melhor o uso da água e desenvolver maior tolerância aos períodos de seca. O processo deverá ser bastante utilizado no futuro, e reduzirá as perdas no caso da soja e do trigo. (Fonte: Veja.com)

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