Quinta-Feira, 25 de Maio de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


verdade@cpovo.net


AUTOMUTILAÇÃO
* Minha coluna de hoje serve como alerta para os pais de jovens adolescentes. Falarei aqui de um problema de grandes proporções que vem ganhando destaque cada vez maior nas escolas contemporâneas: a automutilação. Segundo a revista de medicina The Lancet, o problema se apresenta com maior intensidade entre as meninas. A automutilação é um distúrbio de comportamento que faz com que o paciente agrida o próprio corpo ao sentir profunda tristeza, raiva, nervosismo ou viver um trauma. Trata-se de um transtorno psiquiátrico grave que exige tratamento, terapia e medicação. Um estudo realizado na King's College, em Londres, e na Universidade de Melbourne, na Austrália entrevistou 1.943 adolescentes de 44 escolas de todo o estado de Victoria, Austrália, com idade entre 15 e 29 anos. 149 relataram automutilação, as meninas mais do que os meninos. Porém, participantes que relataram autoagressão durante a adolescência não relataram mais automutilação na idade adulta e jovem, mas há continuidade registrada em meninas, mais do que em meninos. Durante a adolescência, os incidentes de automutilação foram associados de maneira independente com sintomas de depressão e ansiedade, comportamento antissocial, de alto risco de uso de álcool, drogas e cigarro. A pesquisa afirma que a detecção precoce e tratamento dos transtornos mentais comuns durante a adolescência podem constituir um componente importante e até então não reconhecido de prevenção do suicídio em adultos jovens. O número assusta quando vemos que um em cada 12 jovens se mutila, com agressões como cortes, queimaduras e batidas do corpo contra a parede. Para aqueles que se autoflagelam, a prática é uma tentativa de aliviar sensações como angústia, raiva ou frustração. O problema é mais comum entre mulheres de 15 a 24 anos.

* Em entrevista a revista Época, a socióloga da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos Patricia Adler, que estudou durante dez anos automutilação, juntamente com o marido, o sociólogo Peter Adler, afirma que casos como esses são fruto da criação de uma cultura tolerante à autoagressão. De acordo com Patricia, os jovens se cortam porque acham a vida dura. Ela conta que a automutilação era uma patologia mental discreta até os anos 1990, quando artistas e celebridades começaram a assumir a prática em público e, com isso, estimularam mais jovens a se agredir. Porém, a pesquisadora afirma que muitas pessoas entrevistadas na pesquisa planejavam seus ferimentos de forma racional, pensando naquilo como uma válvula de escape para dias tensos ou como fatores que lhes acalmavam, o que não segue o modelo psicológico. "Está virando uma tendência, uma moda. E competem para ver quem sofre mais, quem tem mais dor", afirmou. Os adeptos da autolesão querem encontrar outras pessoas como eles e falar sobre isso. É uma oportunidade para contornar o tabu. Para os que costumam se automutilar é importante encontrar outras pessoas que fazem o mesmo e achar as normas da comunidade. Um vídeo postado da rede You Tube mostra a carta de uma menina que costumava se cortar. Ela escreve a pais que buscam solução para o problema dos seus filhos e utiliza como trilha sonora de seu relato a música Clarisse, do Legião Urbana, que fala sobre uma menina de 14 anos que se fere como fuga dos problemas e das frustrações que vive em seu dia a dia. Muito atual se avaliarmos o número de vídeos que circulam pela internet de jovens que se mutilam.

* Os especialistas afirmam que existe uma espécie de ciclo natural para o fim deste problema. Mas, em casos muito sérios, tratamentos e clínicas são soluções. As comunidades na internet também funcionam como um centro de compartilhamento dos problemas e algumas pessoas se ajudam a largar o ‘vício’ da automutilação. No Rio Grande do Sul, tem sido cada vez maior o número de casos ligados a este transtorno. Fique atento. Marcas ou cortes no corpo de seu filho, principalmente nos braços podem indicar que é hora de conversar... Tem sido algo tão comum, que os jovens se utilizam até mesmo da gilete do próprio apontador que levam para a escola...

COMENTÁRIOS ()