Sábado, 18 de Novembro de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


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25 ANOS DE COMEMORAÇÃO E DE MEMÓRIA - ÚLTIMA PARTE
Previsível por razões topográficas e históricas, os deslizamentos provocados pelas chuvas intensas de verão no ano de 2011 na região serrana do Rio de Janeiro poderiam ter impacto minimizado caso o poder público tivesse implantado um pacote de medidas de prevenção. Também catastrófico foi a tragédia ocorrida no Japão, que mostrou a fragilidade de um país diante da fúria da natureza e nos fez questionar a segurança e a necessidade da energia nuclear em todo o mundo: um terremoto de 9,0 graus de magnitude que deu origem a um devastador tsunami no dia 11 de março, deixou mais de 20 mil mortos e desaparecidos, além de cidades destroçadas. Como se não bastasse, uma crise nuclear na central de Fukushima levou à contaminação de águas, terra e ar em regiões próximas.
Outro fato interessante, é que se em 2010, os carros ecologicamente corretos já haviam roubado a cena nos salões automotivos, em 2011 eles brilharam como estrela principal. Não faltaram novos lançamentos verdes nos principais eventos. De Detroit à Frankfurt, as maiores montadoras do mundo apresentaram suas máquinas elétricas e híbridas. O ano ficou marcado também pelo terremoto de 30 segundos que abalou a cidade de Nova York e pelas diversas erupções vulcânicas que atrapalharam a vida de muita gente.
Em 2012, felizmente, as teorias e interpretações sobre o calendário Maia estavam erradas, e o mundo não acabou. A Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20) aconteceu no mês de junho, e representava grande expectativa da população e comunidade científica para um consenso na construção de um futuro sustentável. O documento final da Conferência, intitulado “O Futuro que queremos”, tem 53 páginas, 283 tópicos, e pouco se menciona sobre a questão climática, tratando o tema de maneira ínfima, e sem profundidade. Outro fato importante que deve ser mencionado é que depois de alguns anos, a discussão sobre a reforma do Código Florestal brasileiro chegou ao fim. Não que isso seja algo bom, pelo contrário, a aprovação do novo texto do Código Florestal mostrou o quanto o Congresso Nacional é movido pelo lobby dos ruralistas. Com algumas alterações feitas pela Lei 12.727/12, os grandes desmatadores são anistiados, e desobrigados de recompor a área. Eles não precisarão ter florestas em topos de morro e encostas, terão (apenas) 15 metros ao redor de nascentes, e dependendo do tamanho da propriedade não precisarão ter mata ciliar ao largo dos pequenos rios. Além disso: em mais de 90 municípios as áreas de reserva legal cairão de 80% para menos de 50%. Áreas consideradas até o momento como sendo de preservação permanente, como os igapós e várzeas, que juntas chegam a mais 400 mil km², deixarão de ser consideradas APPs. Neste mesmo ano, a Conferência da ONU para Mudanças Climáticas, a COP 18, realizada em Doha - Catar, manteve a regularidade das outras Conferências, e resultou em decepção, mesmo com a renovação do Protocolo de Kyoto até 2020. E pra piorar, grandes países poluidores, tais como Japão, Rússia e Canadá, deixaram o Protocolo. Estados Unidos e China continuam de fora. Dos países que ficaram, países da União Europeia, Austrália e alguns outros - 36 nações entre as mais industrializadas do mundo – respondem juntos, por 15% das emissões globais.

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