Segunda-Feira, 18 de Dezembro de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


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O combate ao Vírus Ebola
Agentes de saúde envolvidos no combate ao surto do vírus ebola enfrentam dificuldades para atuar nas regiões mais remotas da África Ocidental. Mais de 670 pessoas já morreram, mas em muitos vilarejos a população ainda trata médicos com desconfiança. Mesmo nos centros de tratamento, as chances de sobrevivência dos pacientes são pequenas. Em Gueckadou, no sudeste da Guiné, das 152 pessoas atendidas, até o dia 23 de julho, 111 haviam morrido. Destas, 20 foram enterradas em covas sem identificação. Uma das mortes mais recentes foi a de um bebê de quatro meses, cuja mãe, que lhe passou o ebola, morrera semanas antes. A OMS teme a possibilidade de “propagação internacional”. Geckadou foi a localidade em que o primeiro caso de ebola foi confirmado, em março. De lá para cá, a epidemia se tornou a pior da história, segundo autoridades sanitárias. A MSF e a Cruz Vermelha Internacional, que, juntos, contam com cerca de 400 agentes, dizem que a situação continua fora de controle. Na semana passada, a Nigéria se tornou o quarto país a confirmar uma morte causada pelo vírus letal.
Os obstáculos são ainda maiores no povoado de Kollobengou, a 12 km do centro de tratamento. Da última vez que agentes sanitários tentaram entrar lá, foram atacados e advertidos a não voltar mais. Muitos acreditam que os médicos estão espalhando a doença pelas comunidades para coletar órgãos dos mortos. Outros acreditam que o vírus existe, mas têm medo de pedir ajuda. Depois de semanas de negociações com líderes comunitários e mais uma morte, os moradores admitiram a entrada dos médicos. Uma equipe da “BBC” acompanhou a visita dos especialistas. Ao chegarem na aldeia, o medo era visível: poucos são os que se arriscam a sair de suas casas. O representante das autoridades locais pediu a palavra e fez um apelo para que os moradores deixassem os temores de lado e colaborassem com os agentes sanitários. Entre as medidas mais imediatas está a distribuição de sabonete e cloro. O vírus pode ser facilmente eliminado através de uma boa higiene pessoal. Mas a região tem problemas mais básicos. “Como vamos nos lavar todo o tempo se não temos água limpa para usar?”, pergunta um morador. Diariamente, milhares de pessoas cruzam as fronteiras da Guiné rumo a Serra Leoa e Libéria. Em apenas três dias, entre 20 e 23 de julho, foram registrados 71 novos casos em Serra Leoa e outros 25 na Libéria, em comparação aos 12 reportados na Guiné.

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