Terça-Feira, 25 de Abril de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


verdade@cpovo.net


Há tempos venho escutando e lendo depoimentos de diversas pessoas revoltadas com a presença excessiva de pombas nos arredores das grandes cidades. Por aqui, tem sido bastante comum encontrá-las nas telhas das coberturas dos nossos ginásios e quadras esportivas das escolas, o que faz com que seguidamente ressurjam estas discussões entre seus moradores. Na cidade de Londrina, no Paraná, o problema é tão grave que os moradores do centro decidiram realizar uma série de manifestações até que a administração municipal apresentasse uma solução definitiva para o problema causado pela superpopulação destes animais - sujeira, mau cheiro e risco de doenças. Um trecho do “Jornal de Londrina”, datado de 04 de julho deste ano, sugere inclusive o uso de rojões para acabar com as pombas (lembrando que as explosões não só afastam estes animais como goram os ovos). O colunista do respectivo jornal afirma que talvez seja a hora da desobediência civil, estimulando seus leitores a soltarem os rojões, deixando assim um recado explosivo às autoridades que segundo ele nada resolvem.
O fato curioso destas discussões é que em nenhum momento se percebe ou pelo menos se tenta perceber o real motivo pelo qual estes animais têm se proliferado em nossas cidades. Esquecemos ou simplesmente desconhecemos o fato de que nós seres humanos somos os principais responsáveis pelo problema, a partir do momento em que dizimamos as populações de corujas, gaviões e outras aves de rapina de nossas cidades. É bom lembrar que estes simpáticos animais, que se alimentam de roedores e cobras, também são os principais predadores de diversas aves, incluindo pombas e pardais, que são bastante apreciadas. Por uma questão cultural muito forte, em pleno 2014, muitas pessoas ainda continuam afirmando que se uma coruja pousar no telhado de uma casa é sinal de que alguém daquela família poderá morrer, e por serem considerados de má sorte, estes animais devem ser mortos pela população. Para quem duvida, basta pensarmos quantas vezes nos deparamos com uma coruja por aqui... As poucas que restam, são mantidas em segredo pelos seus raríssimos defensores. Este é um dos motivos pelos quais tenho afirmado em minhas palestras que somos os seres racionais mais irracionais do planeta. Ao mesmo tempo em que as matamos, atribuímos a elas o símbolo da inteligência. Enquanto continuarmos vivendo em um mundo de contradições e omissões, onde os problemas parecem não ter nenhuma relação conosco, continuaremos reclamando das pombas.

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