Domingo, 19 de Novembro de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


verdade@cpovo.net


Muitas vezes nos deparamos com determinados problemas ambientais que aparentemente se encontram distantes de nosso continente e de nossas possibilidades de atuação. É o caso, por exemplo, da prática de pesca cruel e destrutiva denominada “finning”, na qual o tubarão é capturado e suas barbatanas cortadas. O resto do animal é jogado de volta ao mar, onde acaba morrendo. A cada ano, o número de tubarões mortos por esta prática chega a 100 milhões, causando danos terríveis nas suas populações. As barbatanas de tubarão são consideradas uma iguaria em algumas partes do mundo, principalmente no leste asiático, onde uma sopa de barbatana de tubarão pode chegar a valer 100 dólares, tornando este tipo de pesca um grande negócio para os pescadores. Com o aumento populacional na Ásia, esta prática vem se tornando cada vez mais comum. Nos últimos anos, alguns países, como os Estados Unidos, já proibiram o “finning” de tubarões. Mas esta proibição é muito difícil de ser implementada em outros locais, principalmente porque os tubarões migram regularmente entre as fronteiras internacionais. O “finning” é, no entanto, ainda praticado em muitas partes do mundo, entre pontos extremos, como a América do Sul e a Austrália, contribuindo para o declínio das espécies. O tubarão-azul, por exemplo, está em grave perigo de extinção – algumas autoridades estimam que 90% das barbatanas retiradas são desta espécie.
A reflexão que gostaria de propor aqui é justamente sobre “até que ponto” estamos realmente distantes destes problemas e de suas resoluções? A partir do momento em que incentivamos o consumo e o comércio de determinados recursos naturais estamos potencialmente agindo em benefício destes problemas, muitas vezes de forma imperceptível. E enquanto existirem pessoas interessadas em colocar uma estrela-do-mar em suas paredes ou adquirir ornamentos repletos de conchas em lojas de artesanato por exemplo, existirão também pessoas interessadas em captar estes recursos na natureza, incentivando assim este comércio. Basta lembrarmos que hoje, na maioria das vezes, ao caminharmos na beira de uma praia, é possível perceber que os resíduos tomaram conta de nossa orla, num comparativo com a quantidade de conchas que ainda são encontradas. E assim poderemos traçar analogias similares com os chifres de rinoceronte, com o marfim dos elefantes, com as barbatanas dos tubarões e com as peles de onças e outros animais.

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