Sexta-Feira, 24 de Março de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


verdade@cpovo.net


A BOMBA-RELÓGIO ESTÁ LIGADA

Recentes relatórios do Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas da ONU e do Conselho Ártico, sobre os efeitos do aquecimento global no extremo norte do planeta, mostram um panorama desolador: inundações globais, extinção dos ursos polares e outros mamíferos marinhos e o colapso de áreas de pesca. A aparente arrogância dos cientistas climáticos, no entanto, os fez ignorar as evidências da bomba-relógio de metano, que já explode aos poucos nas tundras da Sibéria. Há enormes quantidades de gases de efeito estufa geradas pela natureza, aprisionados sob a forma de misturas geladas de gases hidratados nos pântanos frios do norte e no fundo dos mares. Essas misturas, chamadas de “clathrates” em inglês, contêm MILHARES DE VEZES a quantidade total de metano hoje liberada na atmosfera terrestre. Como se sabe, o metano é um gás mais de vinte vezes superior ao gás carbônico (CO2 ou dióxido de carbono) em termos de contribuição ao chamado efeito estufa. Um aumento de alguns poucos graus na atmosfera, hoje, pode fazer com que esses gases se tornem voláteis e sejam liberados para a atmosfera, causando novo aumento na temperatura do planeta. Esse fenômeno reduz o permafrost – camada de gelo que contém o metano no fundo do oceano ártico, que por sua vez desestabilizará a superfície marítima, expondo-a a dissipação e movimento, estimulando a liberação da enorme reserva de metano ali depositada. Há, por outro lado, 400 bilhões de toneladas de metano aprisionadas nas tundras congeladas das regiões árticas – o suficiente para desencadear uma reação em cadeia. O aquecimento previsto pelo Conselho Ártico é suficiente para derreter as “clathrates” e liberar esses gases de efeito estufa na atmosfera. Uma vez iniciada a reação, o ciclo resultaria em aquecimento totalmente descontrolado do globo, em magnitudes bíblicas. A previsão está respaldada nas fortes evidências geológicas, que sugerem que algo similar já aconteceu por duas vezes, antes, em nosso planeta, sugerindo um ciclo planetário combinado com ciclos cósmicos, muito além do alcance da conduta humana.

A TRÁGICA CONTRIBUIÇÃO HUMANA

Os humanos estão se mostrando capazes de emitir gás carbônico em quantidades equivalentes às atividades vulcânicas que desencadearam essa reação em cadeia. Computadas as emissões históricas no período industrial. A queima de combustíveis fósseis libera mais de 150 vezes a quantidade de dióxido de carbono liberada pelos vulcanos - uma quantidade equivalente a quase 17 mil vulcões do tamanho do vulcão Kilauea, do Havaí. O problema é que outras grandes explosões vulcânicas, vistas isoladamente, ocorridas desde 1991, já demonstraram ser capazes de dobrar ou triplicar as emissões, reduzir a insolação e mesmo reduzir a temperatura do planeta, por conta da redução da incidência dos raios solares. Ou seja, a catástrofe do aquecimento pode liberar a camada de gelo que estabiliza algumas regiões, como a Islândia ou o Chile, e com isso permitir erupções vulcânicas catastróficas que, a médio prazo, contribuirão para reduzir de novo a temperatura. A ação humana funcionaria como um aquecedor permanente, acelerando esses ciclos a ponto de realmente desestabilizar todo o sistema. Qual é a probabilidade da humanidade disparar essa liberação catastrófica de metano através da queima de combustíveis fósseis? Ninguém sabe. Mas é algo que atualmente está entre o possível e o provável, e que se torna cada vez mais provável a cada ano em que deixamos de agir.

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