Quarta-Feira, 24 de Maio de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


verdade@cpovo.net


* Lembrei esta semana de uma mensagem muito bonita que li e que nunca mais esqueci de um momento bem difícil de minha vida que foi quando meu querido e saudoso pai veio a falecer... Dizia ela assim: Conta-se que um rio nasceu no alto de uma enorme montanha e iniciou a sua jornada. Foi descendo pela encosta e pouco a pouco foi crescendo, aumentando de volume. Projetou-se numa maravilhosa cachoeira e atingiu o sopé da montanha. Foi abrindo passagem entre árvores e pedras, algumas mais facilmente, outras com dificuldades. Admirava-se, ora de sua força, ora de sua habilidade para contornar obstáculos, e crescia. Passou por planícies e por áreas ressecadas. Umedeceu-as dando-lhes condições de acolher as sementes para florescerem e darem frutos. Matou a sede da terra, de povos, animais e pássaros. Conheceu outras correntes de água e as reuniu em si, tornando-se maior e mais fecundo. Os peixes multiplicavam-se em suas águas. Era feliz. Certo dia porém foi desperto para uma realidade: seu caminho seguia inexoravelmente em direção ao mar. Chegaria o momento em que iria penetrar nele e, assim pensava, desaparecer para sempre. Pensou num meio de fugir dessa realidade. Mas não havia como saltar sobre o mar, nem tampouco voltar atrás. Os rios não voltam. Ao fazer uma grande curva, avistou o mar. Era enorme, parecia não ter fim. Teve medo. Contudo percebeu que esse era o seu destino. E, temeroso, porém confiante, fez a sua última descida. Entrou no mar. Descobriu então a grande verdade: entrar no mar não é desaparecer, e sim tornar-se parte dele. O pequeno rio tornou-se parte do mar. Junto com outros rios que haviam chegado de todos os cantos do mundo. Agora ele já não era só. Era parte de um todo, onde de mãos dadas, todos eram um. Desapareceu como rio, renasceu como mar! Belíssima analogia do que chamamos de “vida”...

Volta as aulas...
* Mais um início de ano letivo que se aproxima... Mais um reencontro... Ser professor é fascinante, mas ao mesmo tempo pode ser muito desgastante. Quando você tem tempo para elaborar diariamente suas atividades visando proporcionar dinâmicas atrativas e interativas para seus alunos, a educação torna-se contagiante principalmente pela descoberta de que existe um universo enorme de possibilidades ao seu alcance. Porém, quando o professor se vê mergulhado em uma infinidade de atribuições e compromissos profissionais que impedem a inserção de qualidade em suas atividades, aos poucos poderá começar a se tornar justamente o contrário daquilo que gostaria ou almejaria ser: um professor tradicional, com pouca energia, sem estímulo e principalmente sem perspectivas de mudança. Desta forma, o profissional deverá estar preparado para enfrentar os desafios desta profissão tão importante, sabendo que o limite entre o céu e o inferno está muito mais atrelado a si próprio do que necessariamente da postura de seus alunos. Bons professores em sua essência deveriam priorizar sempre o aluno oferecendo ao mesmo toda a sua dedicação e energia independente de qualquer fator externo que o possa estar desagradando. Faz parte da ética e do caráter deste profissional. A insatisfação salarial por exemplo não pode transpor os limites do contexto educacional. Lutar incessantemente pela melhoria das condições de trabalho e pela valorização do educador no cenário profissional é muito importante, mas mais importante do que isto é não misturar a luta com a nossa “práxis” e com a nossa motivação ética e profissional. Um bom retorno a toda comunidade escolar.

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