Domingo, 19 de Novembro de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


verdade@cpovo.net


Na coluna de hoje gostaria de homenagear nosso maior ambientalista gaúcho, José Lutzenberger, nascido em 17 de dezembro de 1926, na cidade de Porto Alegre, narrando um pouco de sua história. Formado em Agronomia, trabalhou por anos para empresas voltadas à produção de adubos e químicos, no Brasil e no Exterior. A partir de 1971, abandonou uma carreira de treze anos como executivo da Basf para denunciar o uso indiscriminado de agrotóxicos nas lavouras do Rio Grande do Sul, voltando-se em definitivo ao ambientalismo. Foi um dos fundadores da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), uma das entidades ambientalistas mais antigas do país. Em 1987, criou a Fundação Gaia, que promove o desenvolvimento sustentável, a agricultura regenerativa, a educação ambiental e a reciclagem do lixo urbano.

Um dos exemplos de seu trabalho foi a campanha contra a fabricante norueguesa de celulose Borregaard, que tornava insuportável o ar na região da Grande Porto Alegre, a partir de 1974. A fábrica chegou a ser fechada para melhorias nos equipamentos. Após a venda da planta a brasileiros, Lutz, como era conhecido, participou de um projeto para torná-la um exemplo de que é possível conciliar desenvolvimento e respeito ao meio ambiente. Outros projetos foram liderados pelo agrônomo, como o levantamento das áreas de parques da Guarita e Itapeva; o projeto, execução e manutenção do Parque da Guarita; o projeto e implantação do Parque da Doca Turística, em Porto Alegre e a coordenação dos Estudos Ecológicos do Plano Diretor do Parque Estadual do Delta do Jacuí.

O trabalho de Lutzenberger foi focado na agricultura e no uso equilibrado dos recursos não-renováveis, mas nunca deixou de alertar sobre os perigos que o atual modelo de globalização representa para a humanidade em nível ecológico e social. Ao longo de sua vida, o ecologista participou de mais de oitenta encontros nacionais e mais de quarenta internacionais. Recebeu mais de quarenta prêmios, entre eles o The Right Livelihood Award (Nobel Alternativo), 25 distinções e mais de dez homenagens especiais. Lutzenberger faleceu em 14 de maio de 2002, aos 75 anos.

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