Segunda-Feira, 22 de Maio de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


verdade@cpovo.net

(Foto: )


Na coluna de hoje gostaria de homenagear o ambientalista gaúcho Augusto Carneiro, um dos fundadores da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) em 1971, junto com José Lutzenberger. Carneiro foi um ícone no ambientalismo gaúcho. Determinado, defendeu seus ideais até a morte, aos 91 anos, ocorrida no dia 07 de abril do ano passado, justamente dois anos após o mesmo ter perdido a mulher, Rosalinda Teixeira Carneiro, com quem viveu por 35 anos. Mais que um exemplo, foi um homem batalhador. Por vários anos foi secretário e tesoureiro da associação e, assim, um elemento básico para a perenidade da instituição. Segundo o professor e ex-presidente da Agapan, Francisco Milanez, amigo pessoal de Carneiro, poucas pessoas foram tão coerentes quanto ele. Para Milanez, ele foi um grande documentarista, a quem os ambientalistas devem a extensa memória do movimento.

Carneiro teve a sua biografia publicada no ano passado e chegou a participar de uma sessão de autógrafos na feira do livro de 2013. Visitou e participou por duas vezes da Semana do Meio Ambiente em nossa cidade, onde tive o privilégio de conversar com o mesmo e ser agraciado com suas palavras incentivadoras de carinho, que era uma de suas grandes características. Segundo a sua biografia, ainda adolescente, aderiu ao Partido Comunista Brasileiro, do qual se desligou após desencantar-se com o regime comunista. Como livreiro, integrou o grupo que, em 1953, realizou a primeira Feira do Livro de Porto Alegre. Funcionário do Tribunal Regional do Trabalho, passou a dedicar-se ao ambientalismo em tempo integral após a aposentadoria, em 1981. Em 2013, a jornalista e escritora Lilian Dreyer publicou a biografia de Carneiro no livro "Depois de tudo, um ecologista", da editora Pelo Planeta/Scortecci. Carneiro conseguiu unir o discurso ecológico à prática. Augusto Carneiro era um dos últimos expoentes vivos de uma geração que colocou a questão ambiental na ordem do dia, enquanto a maioria dos ativistas era calada pela ditadura militar. Participaram dessa geração também José Lutzenberger, Hilda Zimmermann e Giselda Castro (todos falecidos), Magda Renner, Flávio Lewgoy, Sebastião Pinheiro, entre outros.

Para conhecer melhor a vida de Augusto Cunha Carneiro, segue a sugestão de dois livros:

A História do Ambientalismo (Sagra Luzzatto, 2003), de Augusto Carneiro.

Pioneiros da Ecologia (Já Editores, 2007), de Elmar Bones e Geraldo Hasse.

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