Segunda-Feira, 27 de Março de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


verdade@cpovo.net

(Foto: )


Na terceira parte da série Grandes Ambientalistas gaúchos, gostaria de homenagear o ambientalista Henrique Luís Roessler, que viveu de 1896 a 1963 e é reconhecido por sua militância ambiental, em uma época na qual o ambientalismo não tinha o destaque que possui hoje. Roessler é lembrado por ter participado da fundação União Protetora da Natureza, na cidade de São Leopoldo-RS, em 1955, como funcionário da Delegacia Estadual dos Portos do Rio Grande do Sul e pelos textos que escreveu para o Suplemento Rural do Jornal Correio do Povo de 1957 até 1963. Esses textos foram reunidos e publicados, em 1986, no livro “O Rio Grande do Sul e a ecologia: crônicas escolhidas de um naturalista contemporâneo”. No seu texto de dezembro de 1962 se pode encontrar que “Na construção da Barragem-Ponte sobre a Cachoeira do Fandango, no Rio Jacuí, ocorreu um imperdoável esquecimento: uma escada para peixes, indispensável para a subida dos cardumes, na época da piracema, para os locais de desova, situados nos remansos das cabeceiras daquele rio e de seus afluentes, acima da cidade de Cachoeira do Sul”. Manifestou-se também, muitas vezes, contra a poluição do Rio dos Sinos pelas indústrias que lá se instalaram.

A instituição responsável pelo licenciamento ambiental no Rio Grande do Sul, criada em 1990, ligada a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, chama-se Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luís Roessler - Fepam (www.fepam.rs.gov.br), como uma homenagem a este ambientalista. Em Porto Alegre o Parque Municipal Henrique Luís Roessler (o parcão), que também recebeu seu nome, é uma unidade de conservação com 54 hectares de mato, disponível para diversas atividades, inclusive as educativas. Em Novo Hamburgo, o movimento Roessler para Defesa Ambiental o chama de “Um caçador de caçadores”, pois trabalhando como voluntário, obteve o posto de delegado de caça e pesca, movendo intensa ação fiscalizadora, apoiado por uma rede de mais de 400 colaboradores do sul do país. Fez muitos amigos e inimigos. O exemplo de Roessler deve ser seguido, tanto por suas atitudes e ações quanto por suas ideias. Muitos de seus argumentos e protestos continuam válidos, outros precisam ser adequados ao mundo contemporâneo e a uma abordagem socioambiental (www.aipan.org.br). Como Delegado Florestal, Roessler confeccionava panfletos para sensibilizar a população a respeito da caça predatória, pesca com dinamite, morte de peixes devido à irrigação das lavouras, dos estilingues para matar passarinhos, etc.

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