Domingo, 19 de Novembro de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


verdade@cpovo.net


Alvorada em seus 50 anos e o meio ambiente

Por se tratar de uma data comemorativa tão especial, a coluna de hoje é dedicada a todos aqueles que de uma forma ou de outra se preocupam em seu dia a dia com a preservação e com a conservação dos recursos naturais de nossa cidade. Ao longo destes 50 anos, tivemos muitos avanços e muitos problemas relacionados a esta temática. Desejos e desafios se entrelaçam em uma cidade com poucos recursos, mas com muita vontade de mudança. Embora os índices de desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul sejam bastante positivos, o aumento de determinadas manifestações como a violência, o crescimento da pobreza e a exclusão social, tem apresentado reflexos expressivos no crescimento da problemática socioambiental de nossa região. O Município de Alvorada se emancipou da cidade de Viamão em 17 de setembro de 1965. Seu território é de 71.311 Km², e sua população estimada é de 205.683 habitantes. Por ser um município pequeno e que faz limite com grandes centros urbanos como Porto Alegre, Viamão e Gravataí, Alvorada tem o desafio de compatibilizar o crescimento urbano com os cuidados socioambientais necessários. A realidade ambiental do município não é incomum à realidade em que se encontram os demais municípios brasileiros. A cidade de Alvorada tem uma das menores rendas per capita do Estado do Rio Grande do Sul (RS) e possui aproximadamente 40% da população ocupando áreas irregulares, sendo que a maioria vive em áreas de risco ou de preservação ambiental, principalmente ao longo dos cursos d'água.


* Nas últimas décadas, as preocupações inerentes à questão ambiental têm sofrido um grande processo de intensificação, e junto com ele, é cada vez maior o número de iniciativas para o desenvolvimento de atividades e projetos no intuito de educar as comunidades, procurando sensibilizá-las e mobilizá-las para a modificação de atitudes prejudiciais ao equilíbrio do meio ambiente. A responsabilidade é mútua, ou deveria ser, entre a comunidade e o poder público municipal. Em nossa cidade não tem sido diferente. É preciso destacar o brilhante trabalho de Educação Ambiental que tem sido desenvolvido pelos nossos professores em nossas escolas. O reflexo destas ações já é facilmente percebido através de nossas crianças. Ao mesmo tempo, Alvorada carece de investimento em grandes projetos visando revitalizar os nossos principais “cartões postais” de relevância ambiental. Apesar de nossa cidade ser bem arborizada, nossa Praça Central precisa de um novo projeto paisagístico, com novos plantios potencialmente caracterizados pelo uso de espécies nativas. A Lagoa do Cocão continua sofrendo diariamente com a deposição irregular de resíduos sólidos. A Lagoa Negra foi extinta ao longo dos últimos 15 anos. Nossas praças precisam de um olhar mais atento de nossos governantes. A Praça José Lutzemberger por exemplo, em nada faz jus ao nome de nosso ilustre e principal ambientalista gaúcho. Bancos e brinquedos foram depredados e assim permanecem faz tempo. Não existem árvores plantadas em sua via de acesso e o Cinturão Verde, principal fragmento de mata nativa de nosso município foi abandonado há mais de dez anos. Diante das cinco décadas de aniversário de nossa cidade, devemos aproveitar o momento para avaliar o que temos e o que queremos. Minha sugestão é que seja desenvolvido um novo projeto ambiental para nossa cidade baseado no que vou chamar de 5 “erres”: “Relembrar” o que foi feito, “Repensar” o que queremos, “Replanejar” nossas ações, “Revitalizar” nossos espaços e “Reviver” de forma sustentável. Uma ótima semana.

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