Segunda-Feira, 22 de Maio de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


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ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS
Assim como ocorre no meio terrestre, a vida na água depende da fotossíntese. E a fotossíntese depende de luz e de substâncias minerais. A intensidade da luz diminui com a profundidade: quanto mais fundo é o trecho, maior é a quantidade de energia da luz absorvida pela água e mais escuro o ambiente se torna. Até cerca de 200 metros de profundidade, ainda há luz suficiente para que a fotossíntese ocorra. Nessa região iluminada, chamada de zona eufótica, ou fótica, há algas microscópicas, levadas pelas ondas e correntes marinhas, além de seres heterotróficos (que não sintetizam o próprio alimento) e algas pluricelulares presas no fundo. Dependendo do modo como se locomovem, os organismos aquáticos são classificados em três grupos: plâncton, nécton e bentos. O conjunto de seres aquáticos flutuantes levados passivamente pelas correntezas é chamado de plâncton. As algas microscópicas fazem parte do fitoplâncton. Os seres heterotróficos flutuantes, como os protozoários, pequenos crustáceos e as larvas de vários animais, formam o zooplâncton. As algas microscópicas que se encontram na região eufótica são as maiores produtoras de alimento e de oxigênio dos ambientes aquáticos. O zooplâncton alimenta-se do fitoplâncton e, por sua vez, serve de alimento para os peixes e outros animais aquáticos. Os peixes, as baleias, os golfinhos e outros seres capazes de nadar e vencer as correntes formam o nécton. No leito do mar encontram-se os seres vivos que formam os bentos. São, por exemplo, os mexilhões, as esponjas, as anêmonas-do-mar, as estrelas-do-mar, os ouriços-do-mar, as ostras e os caranguejos. Quanto mais fundo, mais escuro é o mar, porque a energia da luz vai sendo absorvida cada vez mais pela água. O fitoplâncton e o zooplâncton diminuem, à medida que se aprofundam no oceano. Abaixo de 200 metros, aproximadamente, não existe mais luz suficiente para a fotossíntese. Nessa região do mar, não há fitoplâncton: é a zona afótica.

ONDE HÁ MAIS VIDA NO MAR
Apesar de cobrir em torno de 73% da superfície da Terra, o ambiente marinho abriga apenas cerca de 10% da biodiversidade do planeta. As regiões do mar onde há maior biodiversidade são as regiões menos profundas, que ficam perto do litoral, onde a água retira sais minerais da terra, que fica próxima. Fora das regiões costeiras, boa parte dos nutrientes deposita-se no fundo do mar, onde há pouca ou nenhuma luz. Abaixo de dois mil metros de profundidade encontra-se a zona abissal, sem nenhuma luz. Muitos peixes dessa região possuem bactérias que emitem luz (bioluminescência). Isso ajuda os animais a encontrar alimento, além de facilitar a identificação de machos e fêmeas da mesma espécie. Com mais luz e sais minerais, as algas do fitoplâncton se reproduzem rapidamente e levam mais consumidores a se concentrar na região costeira, que por isso é uma região ideal para a pesca. Nas regiões onde os rios se encontram com o mar, a vida é ainda mais rica. Isso porque, no seu caminho, os rios vão absorvendo sais minerais da terra, que são finalmente lançados no mar. Outras zonas costeiras com bastante vida são aquelas onde correntes de água levam os sais minerais do fundo para a superfície iluminada. Com isso, o número de algas aumenta e o de consumidores também, tornando a região boa para a pesca. Esses locais, chamados de regiões de ressurgência, encontram-se, por exemplo, em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, e na costa de Portugal, da África, do Peru e da Califórnia. A biodiversidade é igualmente grande nas regiões em que há recifes de corais. Esses depósitos de corais são encontrados nas regiões tropicais, em águas quentes e pouco profundas, e servem de abrigo para peixes, algas, moluscos, crustáceos e muitos outros animais (Projeto Teláris – 2016 / Fernando Gewandsznajder).

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