Segunda-Feira, 24 de Julho de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


verdade@cpovo.net


CERIMÔNIA DO ABSURDO
Nem mesmo as Olimpíadas no Brasil iniciaram e nosso país já ganhou a primeira medalha. Uma onça que participou de uma cerimônia com a tocha olímpica em Manaus, no Amazonas, na manhã de segunda-feira, foi morta logo após o evento. O inimaginável ocorreu, de acordo com o Comando Militar da Amazônia (CMA), quando militares tentavam coloca-la numa caminhonete para voltar ao seu habitat natural. O animal, supostamente, teria fugido da coleira e avançado em um militar. Lamentável. Profundamente lamentável. A onça Juma, como era conhecida, foi abatida com um tiro de pistola. Como outra onça, apelidada de Simba, ela havia sido acorrentada e apresentada ao público durante a cerimônia. Após a morte do animal, o Comando Militar da Amazônia determinou a abertura de processo administrativo para apurar os fatos relacionados ao incidente. Agora resta apurar a responsabilidade do fato ocorrido, tendo em vista que segundo o Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam) não havia sido autorizada a participação de Juma no evento. E viva a Olimpíada no Brasil.

REVOLTA NAS REDES SOCIAIS
Após a confirmação do abatimento do animal foi gerada uma onda de protestos nas redes sociais, condenando a participação de onças no evento e também a atitude dos militares. Mais tarde, em Iranduba, o revezamento da tocha teve a participação de golfinhos. O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016 usou as redes sociais na tarde de ontem para repercutir a morte da onça-pintada. “Erramos ao permitir que a Tocha Olímpica, símbolo da paz e da união entre povos, fosse exibida ao lado de um animal selvagem acorrentado. Essa cena contraria nossas crenças e valores. Estamos muito tristes com o desfecho que se deu após a passagem da tocha. Garantimos que não veremos mais situações assim nos Jogos Rio-2016”, disse o comitê em uma série de postagens no Twitter e no Facebook.

ONÇAS NÃO SÃO DOMESTICÁVEIS
Em entrevista à BBC Brasil, o biólogo João Paulo Castro explicou que Juma pode ter fugido após se estressar. “Não é saudável nem recomendável submeter um animal a uma situação como essas, com barulho e muitas pessoas em volta”, disse. “Muitas vezes a onça já vive numa situação precária e estressante no cativeiro, o que é agravado num cenário de agitação.” Segundo Castro, é um erro tratar onças como animais domesticáveis. Ele afirma que são necessárias várias gerações em cativeiro para que uma espécie se acostume a conviver com humanos. O biólogo diz que onças apreendidas devem ser devolvidas à natureza ou levadas a refúgios, onde possam ficar soltas em amplos espaços. Um veterinário de Manaus que já trabalhou com o Exército e pediu para não ser identificado defendeu o órgão das críticas. Segundo ele, ao cuidar de animais resgatados, a corporação assume uma função que deveria ser de outros órgãos públicos. Ele diz que os militares são muito cuidadosos com os animais e que a burocracia impede que muitos sejam devolvidos à natureza.

COMENTÁRIOS ()