Quinta-Feira, 23 de Novembro de 2017 |

Colunista


Cantinho Ecológico


Marco Aurélio


verdade@cpovo.net


SOB CHAMAS...

Eis que chegou ontem aqui em Porto Alegre um dos símbolos dos Jogos Olímpicos, a Chama Olímpica.

Qual a importância desse símbolo? Num país onde estamos soterrados por incríveis índices de violência, descaso, imprudência e corrupção será que conseguimos perceber nesse fogo alguma fagulha de esperança? Aliás, as vésperas de recebermos gente de todo o planeta conseguimos manter nossa posição no pódio dos países mais desgraçados da Terra. Parece pesada a palavra, contudo pensemos que o Brasil ocupa um dos últimos lugares na qualidade da educação, apesar de tanta tecnologia ainda somos um dos maiores poluidores do planeta, nossas florestas queimam eternamente e nossos animais são capturados, mortos, torturados, vendidos pra China pra virarem chaveiros na estação de metrô. Nossa água? Ah, sem comentários. Ocupamos lugar privilegiado no ranking dos países que mais registram violência contra a mulher. Somos um povo de misturas onde se reconhece esse fato, mas noticiamos assassinatos hediondos contra minorias. É o desaparecimento das boas relações que se tem junto a outra pessoa.

Na antiguidade, o fogo era considerado sagrado por muitos povos, incluindo os gregos, que tinham uma lenda segundo a qual o fogo teria sido entregue aos mortais por Prometeus que o roubara de Zeus.

Num ano de Olimpíadas, no Brasil, com corrida eleitoral acontecendo fica bem provocante a ideia de refletir sobre o jeitinho de Prometeus conseguir a chama. Outros lendários ladrões aparecerão esse ano em nossas vidas, muitos “Robin Hood” irão “roubar dos ricos” para dar aos pobres... É, difícil se alegrar quando nosso povo ainda não sai de estádios de futebol sem cometer atrocidades. Não aprendemos a perder... talvez nem a jogar com regras.

Sobra acreditar que, para além dos desvios, das guerras locais, do tráfico (de gente, de influências, de drogas, etc) uma chama corta o país na esperança de promover um desafio de paz. Apagar a esperança é um ato de terror. Portanto, alegremo-nos por haver oportunidade de superar os limites. Nossas crianças merecem uma chance de (re) começar a vida sem atalhos porque nem todo caminho fácil é o mais seguro.

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