Segunda-Feira, 03 de Agosto de 2020 |

Colunista


Conversando sobre o cotidiano


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Fim do telefone

A grande invenção de Graham Bell, o telefone, permitiu que duas pessoas conversassem mesmo distantes, usando este aparelho que possibilitava falar e ouvir as mensagens verbais, parece estar com os seus dias contados, pois cada vez menos pessoas falam umas com outras.

As novas modalidades de comunicação são muito mais frias, pois o uso da linguagem escrita não tem sentimentos, pois depende da interpretação de cada leitor e neste quesito, o ser humano é muito criativo, pois cada um interpreta o que lê, conforme o seu momento e sentimentos, quando efetua a leitura.

O antigo hábito de conversar com quem tínhamos intimidade, sentados em nossas cadeiras, falando do que tinha acontecido durante nosso dia, trocando impressões sobre pequenos fatos corriqueiros, num clima de calma, que parece termos perdido, quase não existe mais.

Aos poucos a velocidade dos dias foi aumentando, com mais atividades, envolvimento com mais ações, interagindo mais com máquinas, do que com seres humanos, fomos perdendo a nossa condição de comunicação real.

A evolução do telefone, o celular, permitiu que mais pessoas tivessem acesso ao mundo virtual, um mundo pleno de novidades, que se renovam a cada momento, trazendo mais necessidades para ocupar nosso tempo, mas de modo individual, cada um no seu espaço.

Os telefones fixos são usados raramente, parecem mais objetos de decoração, enquanto que os celulares trazem um número maior de funções, além da principal, que seria o conversar com outra pessoa, via telefone.

O que vemos nas ruas são pessoas caminhando, alheias ao que ocorre ao redor, olhando fixamente para telas, ocupando suas mentes com as informações que chegam a toda hora, digitando mensagens de forma frenética, sem pestanejar.

O contato real com as pessoas está se tornando mais raro, a falta do diálogo aumenta, a tolerância diminui, enquanto que o tempo parece correr sem nos darmos conta, a vida segue, mas com um isolamento cada vez maior entre as pessoas.

Exatamente o contrário do que pretendia o inventor do telefone, que era aproximar as pessoas distantes para que pudessem conversar.

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