Sexta-Feira, 23 de Outubro de 2020 |

Colunista


Conversando sobre o cotidiano


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Coordenador Geral do Metrô de Porto Alegre

A administração pública insiste em nos surpreender, mas no último dia 12 de abril a prefeitura de Porto Alegre conseguiu a proeza de nomear um coordenador-geral para o Escritório-Geral do Metrô de Porto Alegre (MetroPOA), um setor desativado desde 2017.

Saliento que o sistema do metrô de Porto Alegre é um dos eternos projetos que nunca saem do papel, apesar de inúmeros estudos para a implantação do transporte subterrâneo na capital, que sempre para nos interesses dos empresários e na falta de investimentos.

O MetroPOA foi criado em 2012, inclusive com aluguel de um prédio e inúmeras salas para abrigar a estrutura pública, que foi desativado no final de 2017, quando o prédio foi devolvido e as salas esvaziadas, assim não existe mais uma estrutura para ser coordenada.

Assim mesmo a prefeitura nomeou um cargo em comissão (CC), com alto salário para o cargo máximo do MetroPOA, que deixa a impressão de que as nomeações no setor público não tem por finalidade o interesse público, mas acomodar os aliados e apoiadores.

As explicações sempre tentam justificar que, mesmo não existindo uma estrutura pública, o indicado está servindo à administração em outro setor, trabalhando pelo bem da comunidade, sendo esta uma prática comum, ou seja, justificativas que parecem imaginar que tudo pode ser feito pelos administradores.

Desta maneira temos em Porto Alegre um coordenador-geral do sistema de metrôs que não existe, ganhando um bom salário, pago com o dinheiro público, sem desempenhar sua função, pois ela não existe, recebendo sem trabalhar.

Infelizmente é apenas um caso de um cargo comissionado que não trabalha, mas sabemos que existem milhares de casos semelhantes acontecendo em todos os níveis da administração pública, pois não existe controle, nem na nomeação e nem no efetivo desempenho da função.

Ouviremos novamente, daqui a pouco tempo, promessas de extinção dos CCs para diminuir as despesas públicas, como já ouvimos o mesmo discurso dos que hoje são administradores, mas que na prática continuam mantendo esta estrutura de acomodar os “amigos” no setor público sem concurso.

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