Quinta-Feira, 06 de Agosto de 2020 |

Colunista


Conversando sobre o cotidiano


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Gasolina vira artigo de luxo

A Petrobras vem aumentando o preço dos combustíveis em espaços de tempo cada vez menores, atingindo a incrível marca de 24 reajustes neste ano, acumulando um aumento de quase 30% no preço para o consumidor.

Apesar das explicações do governo federal fica difícil entender esta política de aumentos sucessivos, tendo como justificativa o problema do preço do barril no mercado mundial, enquanto temos conhecimento de que o Brasil produz o suficiente para o consumo e para exportação.

Neste aspecto convém destacar que para exportação o preço é um terço do que pagamos nos postos, pois a carga tributária é enorme, incidindo impostos federais, estaduais e municipais.

Pelo último aumento os caminhoneiros do país resolveram cruzar os braços, assim os produtos não estão chegando aos consumidores, inclusive os combustíveis para abastecer a frota de veículos.

Por erros do passado, em opções equivocadas dos governantes, o transporte de cargas no Brasil está concentrado no sistema rodoviário, enquanto o ferroviário e fluvial foram sucateados e desestruturados. Desta maneira se os caminhões param, a economia para.

Agora as filas aumentam nos postos, pois a notícia de falta de abastecimento levou os motoristas a uma corrida para encher os tanques, apesar do preço de quase cinco reais por um litro de gasolina.
Muitos postos estão abastecendo apenas álcool, alegando o fechamento das refinarias, dizem não haver gasolina nos tanques, causando muita irritação naqueles que não possuem os carros flex.

O governo chamou os líderes dos caminhoneiros para negociação, colocando na pauta a possibilidade de baixar o preço do diesel e da gasolina, retirando alguns impostos federais, mas tudo no campo da hipótese.

Enquanto segue a greve, vem a notícia de que falta combustível para os aviões decolarem, surgindo mais um problema no complexo cenário do sistema de transporte brasileiro, alicerçado na dependência dos caminhões para que a economia funcione.

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