Segunda-Feira, 03 de Agosto de 2020 |

Colunista


Conversando sobre o cotidiano


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Aumento dos vereadores

A surpresa de um aumento dos vereadores de Porto Alegre retrata o descaso dos políticos com a realidade, porque o prefeito atrasa os salários dos servidores do Executivo, alegando falta de dinheiro para quitar a folha de pagamento.

Um aumento acertado por seis vereadores, de todos os matizes doutrinários, representando total descaso com a situação econômica da cidade, que se encontra com enormes problemas nas mais diversas áreas, faltando, por exemplo, material nos postos de saúde, manutenção no sistema viário e limpeza urbana deficiente.

O problema é que este tipo de atitude é uma constante nas casas legislativas, pois o processo de concessão de aumentos é feito por aqueles que serão beneficiados com os novos valores.
Alegando que um vereador pode receber 75% de um deputado estadual, os integrantes da mesa diretora dizem que, mesmo com a reposição, ficam bem abaixo do que poderiam ganhar, caso a norma fosse cumprida.

Os municípios, independente do tamanho, têm câmaras de vereadores que funcionam com um grande número de funcionários, uma estrutura que destoa do restante dos setores municipais, muitos com enormes deficiências, tanto materiais, como de servidores.

Caso os legisladores dos outros municípios gaúchos resolverem acompanhar a manobra dos vereadores da Capital, logo teremos notícias de mais problemas de caixa para quitar salários em muitas cidades.

Todo o sistema legislativo brasileiro parece viver numa redoma, isolados da realidade da população, começando por Brasília, onde as vantagens de cada deputado federal e senador atingem somas milionárias a cada mês.

A mesma realidade acontece nas assembleias legislativas e nas câmaras de vereadores, onde os seus integrantes também acumulam vantagens, num sistema que se sustenta sem levar em conta os problemas econômicos.

Infelizmente apenas os legisladores poderão mudar o sistema de concessão de aumento de seus próprios salários, mas pelo que podemos verificar nada leva a crer que haverá qualquer modificação, pois os interesses corporativos são maiores que os da sociedade.

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