Segunda-Feira, 03 de Agosto de 2020 |

Colunista


Conversando sobre o cotidiano


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


A renúncia de Mujica

O ex-presidente uruguaio Pepe Mujica resolveu, aos 83 anos, renunciar ao cargo de senador alegando que precisa aproveitar o resto de sua vida, recolhendo-se a sua fazenda, onde deverá viver de maneira simples, como sempre foi sua característica.

Além disso, por ter renunciado, abriu mão de receber seu salário, refugiando-se, conforme suas palavras, na aposentadoria da vida pública, mas que continuaria defendendo suas ideias, mas sem ocupar cargos.

Mujica não foi condenado por nenhum crime, não está envolvido em escândalos de corrupção, no entanto renunciou, ao contrário de tantos políticos brasileiros, que mesmo condenados, tentam permanecer em seus cargos e continuar recebendo seus salários.

Temos diversos exemplos de políticos que ficam na função pública até suas mortes, não permitindo a renovação ou mudanças, enquanto outros, mesmo doentes ou idosos permanecem nos cargos, incapazes de deixar os holofotes.

Nossa legislação beneficia com salários vitalícios diversos cargos, no entanto, alguns, após receberem vantagens de um cargo, vão em busca de outro, acumulando valores e benefícios, sem nenhum constrangimento.

Paulo Maluf, com 86 anos, deputado federal, em prisão domiciliar, condenado por crimes de desvio de dinheiro público, é um exemplo da prática brasileira, pois não renunciou, deixando que seus pares decidam se deve ou não deixar o cargo, no entanto, os integrantes da Câmara dos Deputados protelam a decisão desde dezembro do ano passado.

Convém salientar, que a esposa de Mujica ocupa atualmente a vice-presidência do Uruguai, o que não tira o mérito da atitude de um político deixar a vida pública para aproveitar a vida.

Por aqui aproveitar a vida é permanecer mais e mais tempo na política, mudando de cargos, com acúmulo de vantagens e conseguindo manter os privilégios e mordomias que os políticos aprovam em benefício próprio.

Pena que Mujica não é o modelo que nossos políticos tenham interesse em seguir, porque não consegue entender como alguém pode deixar de abrir mão dos privilégios para, simplesmente, viver.

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