Quarta-Feira, 28 de Outubro de 2020 |

Colunista


Conversando sobre o cotidiano


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Bolha Salarial

O acordo fechado entre os presidentes do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli e da República, Michel Temer, permitiu que o aumento de 16,38% nos salários dos ministros do STF fosse sancionado por Temer, sendo revogado o auxilio-moradia para o membros do Judiciário, numa clara demonstração de que a crise das contas públicas não preocupa os que recebem grandes salários dentro do serviço público.

As projeções dos custos deste aumento para as contas públicas chegam a 4 bilhões por ano, devido ao efeito cascata, já que o salário dos ministros do STF é o teto da remuneração dos integrantes do Judiciário e Legislativo, além de alguns cargos do Executivo, portanto ao conceder o aumento o presidente Temer beneficia diversas castas do funcionalismo público.

Altos salários valorizam os integrantes do Judiciário, mas reajustes devem ser concedidos quando as contas públicas permitirem, o que segundo vemos divulgado na mídia não é realidade, visto que há déficit no orçamento, faltando dinheiro nas áreas essenciais para a população, mas no centro do poder, em Brasília, parece que esta realidade não existe.

Por aqui os integrantes do Judiciário e Legislativo também não são afetados pela enorme crise divulgada na mídia, pois durante todos os anos do governo Sartori, enquanto os funcionários públicos do Executivo tiveram seus salários parcelados e atrasados, estes receberam sem atraso e terão reajustes baseados nas concessões de aumentos dos salários dos ministros do STF.

Assim teremos, no próximo ano, aumentos em cascata para quem tem os salários vinculados ao teto do STF, o que deve gerar um gasto de 225 milhões a mais nas contas do orçamento gaúcho, agravando o cenário da crise econômica que levou o governo estadual a buscar um acordo com a União para renegociação das dívidas.

2019 virá com aumentos em cascata, que não atingirão os que recebem os menores salários, sem melhoria dos serviços públicos, devido à falta de recursos para as áreas de saúde, educação e outras essenciais para a população.

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