Segunda-Feira, 03 de Agosto de 2020 |

Colunista


Conversando sobre o cotidiano


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Boneca virtual substitui os pais

A boneca Momo, uma febre momentânea, está sendo a responsável por crianças tomarem atitudes violentas, através de sua aparição em vídeos na internet, solicitando que os pequenos venham a se mutilar e, até mesmo, praticarem suicídio, causando uma onde de preocupação nas famílias.

O aparecimento da imagem começou em 2018, quando falsos perfis do whatsapp usavam a figura da Momo e lançaram ameaças para quem acessasse as mensagens, o que viralizou, numa propagação de boatos, levando pessoas a criarem mais e mais vídeos vinculados à Momo.

A foto de Momo é, na realidade, parte de uma escultura japonesa criada, em 2016, pelo artista plástico Keisuke Aisawa, exposta no museu Vanilla Galery, em Tóquio, sendo utilizada por usuários das mídias sociais, de diversas formas, inclusive para lançar desafios para crianças e adolescentes.

Na realidade a Momo é mais uma das tantas lendas urbanas surgidas na internet, como aconteceu com a Baleia Azul, em 2017, que se alimenta de pessoas desesperadas, que acreditam em tudo que recebem em suas mídias sociais, passando adiante, sem conferir o conteúdo.

Os pais atuais, em sua maioria, estão constantemente em suas mídias sociais, assim não conseguem acompanhar os filhos no mundo real, estão sem tempo para conversar, olhar e orientar as crianças e adolescentes, que também ficam em tablets e celulares, sem nenhuma supervisão.

Acompanhar os filhos em brincadeiras, jogos e incentivar a leitura são algumas formas dos pais participarem da infância dos filhos e conversar com os adolescentes sobre os mais diversos assuntos, orientando como proceder nas mais diversas situações.

O desespero toma conta de pais que, ausentes, não explicam aos filhos sobre como devem se comportar e agir, sentindo-se ameaçados por uma boneca virtual, ou outra lenda que possa surgir, assim pela falta do convívio com os filhos, passam a culpar os meios digitais por divulgar algo que eles deveriam fiscalizar.

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