Sbado, 08 de Agosto de 2020 |

Colunista


Conversando sobre o cotidiano


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Cobrador de ônibus

Meu pai, Avelino, foi cobrador de ônibus na empresa Gazômetro, trabalhando nas linhas Santana e São Manoel, enquanto eu, pequeno, viajava sentado ao lado dele, cumprimentando os passageiros e até dando troco, com muitos deixando alguns trocados para mim.

Eram os anos 1960 e lembro que existiam algumas fichas coloridas que eram entregues para pagar a passagem, com roletas grandes e o cobrador tendo seu lugar no meio dos ônibus. O motor ficava ao lado do motorista, coberto com capas de couro, em diversas cores, combinando com cortinas nos vidros dianteiros.

Recordo de meu pai ajudando o motorista nas manobras, botando os braços para fora da janela, sinalizando para as mudanças de pista. Sempre sorrindo ele recebia os passageiros, conversava com as pessoas, muitos amigos daquelas viagens dos bairros para o Centro e de volta para suas casas.

Ele conhecia muitos pelos nomes e até por apelidos, era uma relação cordial e de respeito, com muitas situações engraçadas, pessoas que trancavam na roleta, ou tristes, quando alguém tinha algum problema de saúde ou havia algum acidente.

Aprendi a respeitar os profissionais que trabalham no transporte coletivo, por ser um serviço árduo e nem sempre reconhecido pela população, numa rotina de várias horas dentro de um ônibus, sem muito conforto, enfrentando o trânsito horrível e sistema viário inadequado.

Agora falam em extinguir com os cobradores, figuras que sempre auxiliam os passageiros, ajudam os motoristas e são importantes para que as viagens sejam mais rápidas. Com a retirada dos cobradores, toda a carga de receber e devolver dinheiro, vales e cartões será repassada para os motoristas.

Com a notícia fiquei triste, pois vai acabar um modelo de transporte coletivo que acompanho desde a infância, pois entendo que a função do cobrador é importante para o bom funcionamento de todo o sistema, deixando mais humana a relação com os passageiros, passando pela roleta, que agora vai deixar de existir.

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