Quarta-Feira, 28 de Outubro de 2020 |

Colunista


Conversando sobre o cotidiano


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Não sabemos quantos morreram

A trapalhada do governo ao retirar as informações sobre a Covid-19, do site do Ministério da Saúde, na última sexta-feira, deixou os brasileiros sem informações a respeito da doença e suas conseqüências, numa tentativa de diminuir, artificialmente, o número de mortes.

Na verdade o número de mortes não é o correto, pois muitos casos não foram investigados e nem diagnosticados, por falta de aplicação dos testes ou de informações corretas sobre cada paciente. A subnotificação existe, com vários casos passando despercebidos, sendo possível afirmar que há uma defasagem grande na quantidade de mortos devido ao coronavírus.

O sistema retornou a informar os dados, durante a semana, registrando o acumulado, mas há intenção do governo em mudar a sistemática, visando encontrar o número real, o qual, segundo o presidente e seus assessores, é menor do que os existentes no banco de dados, sendo necessário confirmar as informações repassadas pelos Estados e municípios.

Ainda haveria duplicidade de dados, visando conseguir mais verbas para os governos estaduais e municipais no combate à pandemia, além do uso político do número de mortes para desestabilizar o país, com a quebra da economia.

Com a briga entre os governos, somada ao embate entre os poderes, ficamos sem saber em quem acreditar, pois cada parte diz ter a verdade, numa luta entre saúde e economia, onde tentam convencer a população de que não precisamos nos preocupar com a doença ou que devemos ficar isolados, dentro de nossas casas.

Ser o terceiro país do mundo em número de mortes é um título desnecessário ao Brasil, mas ao qual chegamos, seja verdadeiro ou não, temos pessoas morrendo aos milhares, numa tragédia que só tende a piorar, se não houver seriedade na prevenção e combate à Covid-19.

Precisamos saber a verdade, ruim ou boa, pois somente, com a transparência e correção dos dados, poderemos acreditar nos números oficiais e nos políticos que ficam debatendo, interessados nas próximas eleições.

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