Segunda-Feira, 21 de Setembro de 2020 |

Colunista


Conversando sobre o cotidiano


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Estupro ou aborto

Uma menina de dez anos de idade, do estado com o nome de Espírito Santo, vinha sendo estuprada, desde os seis anos, pelo tio, atualmente com a idade em que Jesus Cristo foi crucificado, e que mantinha o silêncio da criança por ameaças.

Desta situação resultou uma gravidez, porém somente com uma decisão judicial foi interrompida, causando um embate entre os que defendiam a interrupção e aqueles contrários, defensores da vida do ser que se desenvolvia.

O sofrimento da menina continuou, pois não havia condições em Vitória para a cirurgia da retirada do feto, assim ela foi transferida para Recife, onde os manifestantes ficaram na frente do hospital, gritando contra o aborto.

Antes disso uma extremista já havia divulgado nome da criança nas redes sociais, aumentando o número de revoltados com o aborto, enquanto outros tantos ficaram indignados contra o estupro.

Um crime hediondo praticado durante anos por um membro da família esta sendo esquecido pelos favoráveis ao prosseguimento da gravidez, parecendo que a criança estuprada teria que criar um filho que não desejou.

O aborto só pode ser realizado em situações previstas na legislação e no caso da menina está devidamente amparado, assim não se pode cogitar a violação do direito à vida.

A vida violentada foi da menina, que desde os seis anos vem sofrendo violências, tanto físicas, como psicológicas, perdendo a essência de ser uma criança, tudo sendo feito por um tio depravado.

A grande questão é que fatos semelhantes são comuns em nosso país, sendo que, segundo divulgado, há uma média diária de seis abortos em meninas com menos de 14 anos, vítimas de estupro.

As manifestações contra o aborto, parecem colocar a culpa na menina estuprada, numa lógica irracional que é comum em extremistas, os quais culpam as vítimas, ao invés de protegê-las.

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