Sbado, 03 de Dezembro de 2022 |

Colunista


Conversando sobre o cotidiano


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Julgamento sem fim

A tragédia da Boate Kiss continua em andamento, a cada nova etapa do julgamento dos pouquíssimos réus que restaram, depois de tantos e absurdos erros, tanto de entes públicos como privados, não parece ter data para terminar.

Os quase nove anos que já se passaram desde 27 de janeiro de 2013 mostram como o sistema de justiça apresenta brechas para adiamentos e abre recursos e mais recursos, desde que se tenha dinheiro e bons advogados.

O mais recente capítulo desta novela de sofrimento foi a manutenção da liberdade dos condenados durante a leitura da conclusão do julgamento, quando um dos defensores interrompeu o processo e apresentou o documento que impedia a prisão imediata.

As 242 pessoas que morreram e as famílias e amigos vão continuar sem uma resposta firme que faça com que os culpados sejam presos e cumpram penas pelos atos criminosos que fizeram, estendendo mais ainda o sofrimento.

Recursos jurídicos são necessários e úteis num país democrático, porém no Brasil há um exagero, pois existem tantas instâncias e tantos caminhos que os processos podem se estender por tempo indeterminado.

O sistema permitiu que muitos envolvidos, em toda a trajetória, tenham conseguido se safar de responder por seus atos de negligência e descaso, culminando o incêndio do prédio, com mortos e lesionados.

A batalha de liminares iniciou em 2013 e continua até hoje, quando magistrados entendem em soltar, enquanto outros decidem em prender os quatro culpados, sem chegar a uma conclusão definitiva.

Aos parentes e amigos resta ficar sofrendo, pois quando imaginam que um pouco de justiça aconteceu, vem um novo documento que invalida a decisão anterior, assim passam os anos.

Os que morreram não voltarão, outros tantos ficaram sequelados, a dor não sairá dos corações e mentes, mas o que poderia amenizar tudo isso não acontece, pois continuam livres os que mataram 242 pessoas.

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