Tera-Feira, 29 de Novembro de 2022 |

Colunista


Conversando sobre o cotidiano


Paulo Franquilin


franquilin.pc@gmail.com


Mirella

No período de dois anos a menina Mirella viveu sendo agredida por dois adultos, os quais deveriam proteger a criança indefesa, mas por razões desconhecidas, a mãe e o padrasto usaram o pequeno corpo como um espaço para agressões, queimaduras e torturas.

A pior parte da história é que inúmeras pessoas tinham conhecimento da rotina de tortura e falta de atenção com a menina, que não recebia alimentação e nem os mínimos cuidados de higiene, permanecendo dias sem tomar um banho.

O relacionamento iniciou em 2020, quando Mirella estava com um ano de idade, assim após esta união os dois seres começaram a agredir a menina, de forma constante, sem nenhuma restrição por familiares ou vizinhos, que se omitiram e calaram.

Mirella não freqüentava nenhuma escola, ficando sob cuidados de muitas pessoas, que sempre viam a menina com algum machucado, com choro constante, não querendo voltar para casa, ficando escondida embaixo de cobertas, mas nada foi motivo para denunciar.

Os atendimentos nos sistema de saúde por quedas, acidentes e ferimentos relatados pelos responsáveis, tiveram como resultado ossos quebrados, cicatrizes, marcas no pequeno corpo, mas sem nenhuma denúncia de maus tratos.

O único fato que levou a uma denúncia foi o atendimento no hospital Cristo Redentor, quando levada, pelo avô, no mês de janeiro, com diversas fraturas, houve a comunicação ao Conselho Tutelar de Alvorada da suspeita de maus tratos.

Um conselheiro tutelar foi o responsável por verificar a situação, alegando que ligou e esteve na residência, porém sem conseguir contato, não retornando por alegar excesso de trabalho quando ouvido em depoimento, mas era mentira.

Mirella morreu com hemorragia abdominal resultante da tortura aplicada por sua mãe e seu padrasto que a agrediram pela última vez e conduziram para um posto de saúde, onde entrou sem vida.

Resta perguntar por que as pessoas calaram diante de tanto sofrimento físico e psicológico de Mirella, quando há, na teoria, todo um sistema de proteção para as crianças.

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