Tera-Feira, 04 de Agosto de 2020 |

Colunista


Direito e Cidadania


Valmor de Freitas Júnior



A Pandemia do Julgamento

O juízo de valor é algo que acompanha o ser humano. Por vezes revela-se como uma arma destrutiva, desprovida de uma análise cognitiva verdadeiramente comprometida com um ideal justo. Nesse sentido, me posicionei recentemente e compartilho agora aqui neste espaço, para falar além do direito, enaltecendo a importância de fazermos uma autocrítica em relação ao nosso próprio comportamento, especialmente através de um olhar sobre o outro.

Não é apenas sobre o vírus a reflexão. Estamos em meio a uma outra epidemia: A do julgamento. Donos da verdade e da razão julgam a todo o instante. Julgam os que estão em casa, julgam os que estão na rua. Julgam os que fazem doação, julgam os que recebem. Julgam quem passeia no parque, julgam quem quer trabalhar, julgam quem defende a quarentena. Julgam quem defende que o isolamento deve ser vertical, julgam quem entende que deve ser horizontal. Julgam por pensar diferente...

As pessoas nunca falaram tanto de empatia, e paradoxalmente praticam o inverso. Ao mesmo tempo em que proferem discursos sobre a necessidade de se colocar no lugar do outro, massacram o outro. As pessoas estão diariamente apontando o dedo umas para as outras. E não fazem isso pelo bem coletivo. O julgamento leviano revela senão mais do que a necessidade de se colocar sobre o outro, e não ao seu lado como a mão que acolhe e afaga. No fim é apenas uma disputa social, praticada por perdedores. Porque sim, todos perdem...

A saúde das pessoas é fundamental e vem em primeiro lugar, e isso inclui a necessidade de combater o vírus, mas também a necessidade de garantir o sustento através do trabalho de quem precisa. Não é o teu julgamento que vai ajudar a mudar o mundo ou as pessoas, mas sim os bons exemplos que você pode dar. O mundo está precisando muito mais das tuas boas ações, do que dos teus julgamentos impositivos, por vezes preconceituosos e agressivos. Pratique boas ações, dê bons exemplos, julgue menos. Eu agradeço. O mundo também.

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