Sábado, 25 de Março de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Muito Prazer!
Como é de praxe, antes de sair falando sobre qualquer coisa, é preciso agradecer e me apresentar. Obrigado ao Jornal A SEMANA pelo convite que gentilmente me foi estendido para ocupar este espaço. Um desafio que me enche de expectativas, porque grandes nomes me antecederam, análises rigorosas foram aqui expostas e importantes discussões suscitadas. Minha formação, em Comunicação Social e gestão, além de uma certa vivência entre diferentes ambientes, da religião à política, da educação ao empreendedorismo, das artes à criação publicitária, me tornou uma pessoa inquieta. Cética, até. Talvez até demais, em alguns momentos. Não acredito facilmente em qualquer coisa. Tornei-me um inconformista, e perdi a conveniente habilidade de me acomodar diante do que me incomoda. Passei a questionar muitas coisas, a discutir opiniões, a debater sobre visões de mundo, com mais intensidade do que acreditava que fosse o ideal... e agora, diante deste convite, me deparo com a oportunidade de compartilhar com vocês, entre essas linhas, algumas dessas inquietações. A propósito, sugestões e críticas serão bem-vindas.
O que move a humanidade, afinal, senão a capacidade de fazer perguntas? E certamente aqui serão formuladas (e motivadas) muitas delas, talvez mais do que respostas prontas e frases de efeito, fáceis de serem lidas, mas de pouca utilidade para quem busca lapidar a própria opinião.
Enfim, ao trabalho! Se me deixarem aqui divagando, vou longe...

Tá faltando alguma coisa...
Não tem como deixar passar em branco essa onda de manifestações que está sacudindo o Brasil. Na história recente, só a “Diretas Já” e o “Fora Collor” levaram tanta gente às ruas. Mas há uma diferença agora: ainda falta o foco. Falta o tema, o slogan. São tantos que não tem nenhum. Ouve-se muito que “tem que acabar com tudo de ruim que tá por aí”, “tem tanta coisa errada”, “tem que mudar tudo” e por aí vai. A redução da passagem de ônibus, que foi a manifestação inicial, acabou se transformando em uma mera gota d’água que fez transbordar o balde das insatisfações.
A lista nos gritos e cartazes é extensa: corrupção, altos salários e privilégios à classe política, aparelhamento da máquina pública para benefício dos partidos e, de novo, da classe política, má gestão do dinheiro público, gastos absurdos com obras gigantes e superfaturadas sob o pretexto do “legado da Copa”, filas e mortes nos corredores dos hospitais, crianças e jovens sem as escolas e os professores que deveriam ter...

E resolve como?
Redução da tarifa de ônibus, como eleições diretas e impedimento de um presidente, se faz com a caneta. Mas como se acaba com corrupção? Como se acaba com privilégios se quem teria o poder para fazê-lo é justamente quem se beneficia disso? Como se faz para tornar a administração pública correta, ética e eficiente?
Me parece que, então, tudo pode ser resumido no seguinte: o problema é essa nossa tal de “democracia representativa”, um modelo que já não funciona mais. Pelo menos aqui, onde o povo não tem a Educação suficiente para lidar com isso, se informando, fiscalizando e até destituindo o seu representante, se for o caso. Ou seja, sem educação, a democracia é de mentirinha. Mas isso é assunto pra semana que vem, porque o espaço aqui já tá acabando.

Decepção
Nem deveria, mas fiquei frustrado na sessão da Câmara de Vereadores da última terça. Nenhuma palavrinha sobre esse grande momento de protestos Brasil afora. Não é só em Brasília, em qualquer parte desse país a política é cada vez mais um universo paralelo, que vive em função de si própria, por si e para si. Só que com o dinheiro da gente. Ainda não dá pra entender por que tanto barulho nas ruas?

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