Segunda-Feira, 29 de Maio de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Nas tetas do poder
Grandes figurões da classe política começam a respirar de novo. A impressão de que o gigante, que havia acordado, voltou para casa depois da vitória da Seleção, alivia um pouco a tensão no ambiente político e nos nervos de boa parte de nossos “representantes”. Outra parte, todavia, permanece inabalável. Os presidentes do Senado e da Câmara, Renan Calheiros e Eduardo Alves, continuam usufruindo de mordomias como o uso de jatos da FAB para viagens particulares, com amigos e familiares, sem qualquer constrangimento. Claro, de forma protocolar, depois vem a manjada manifestação de “auto desagravo”, reconhecendo o equívoco e prometendo ressarcimento. Esses cidadãos já tão bem remunerados com o nosso dinheiro, e donos de patrimônios particulares invejáveis, não teriam mesmo condições de pagar suas passagens para assistir a um jogo de futebol ou prestigiar um casamento de amigos? Ah, esses nossos representantes...

O macro e o micro
E não é só na Capital Federal. Por aqui tem muita coisa que nem é tão diferente. Brasília reproduz os municípios e os estados. Afinal é de onde vêm todos os que estão lá, certo? E os municípios, por sua vez, replicam o que veem acontecer na Capital, não é assim? Querem ver? Vamos começar por onde? Altos salários? Improdutividade? Nepotismo? Cooptação de oposições em nome da “governabilidade”? Inchaço da máquina pública? Temas não faltam.
No calor dos protestos que sacodem o país, e mesmo Alvorada, o executivo local encaminha projeto à Câmara que cria uma gratificação de 100% a um grupo de servidores, inclusive FGs, das secretarias de Obras e de Planejamento Urbano, para “Acompanhamento de Projetos e Obras”, o que já era função deles. A Câmara, lógico, aprova. Seria semelhante a oferecer uma gratificação a um professor que comparece à sala de aula para lecionar a disciplina para a qual foi contratado.

Chora quem pode
Quem não tá gostando nada disso, obviamente, é a classe dos professores do município, que tem o menor piso salarial da Região Metropolitana, segundo o Sindicato dos Servidores Municipais, que faz coro às críticas. O SIMA não é contra aumento de salários de servidores, obviamente, mas questiona o percentual e o grupo limitado que foi beneficiado neste Projeto de Lei 050/2013, enquanto a quase totalidade dos servidores continua peleando há tempos, sem sucesso, por um pequeno reajuste no vale-alimentação. Há gente interpretando a iniciativa dessa gratificação como uma forma de o Executivo fragmentar o funcionalismo, esvaziando a atuação do Sindicato. E lembram ainda do excesso de CCs, que são, oficialmente, mais de 500 na prefeitura de Alvorada. Como dizia, não é só em Brasília.

Política de família
E já que mencionamos a odiosa palavra “nepotismo”, alguns fatos tem deixado certos políticos locais em saia justa. Com a abertura dos contracheques da Assembleia Legislativa, baseada na Lei da Transparência, surgiu o nome de uma irmã de um vereador eleito aqui, recebendo um salário bruto de cerca de R$ 18 mil como chefe de gabinete parlamentar. Na mesma linha, uma filha de outro vereador ostenta em redes sociais da internet que trabalha na Câmara de Vereadores. Outras fumaças ainda indicam que há outras fogueiras por aí.

Não para por aí
Nem vamos entrar agora na questão da improdutividade, dos salários, da governabilidade. O espaço aqui tá ficando apertado. Mas sugiro que mais pessoas assistam às sessões da Câmara, para tirarem suas próprias conclusões.

Perguntar não ofende
Será mesmo que esses nossos representantes acreditam, assim, de verdade, que estão realmente fazendo o que nós esperamos deles? Discursos de campanha e de pronunciamentos oficiais precisam mesmo ser tão diferentes da prática política?

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