Sexta-Feira, 28 de Julho de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Pá de cal
A tal de greve geral, como era de se esperar, não passou de um diversionismo, uma cortina de fumaça para sufocar o movimento espontâneo da sociedade que foi às ruas nas últimas semanas. Após uma reunião no Instituto Lula com as lideranças de centrais sindicais e estudantis, o ex-presidente deu a sua contribuição definitiva para sepultar os protestos que se agigantavam e clamavam por um modelo político mais digno e por um governo mais eficiente, em todas as esferas, que estejam realmente sintonizados com as expectativas da sociedade.
Centrais sindicais, UNE e MST, os puxadores da “greve”, são reconhecidos pela partidarização de suas ações e pela sintonia com o atual governo federal, e por isso mesmo não eram bem-vindos pelos manifestantes que se mobilizaram espontaneamente pelas redes sociais, desvinculados da militância partidária tradicional. Aliás, este mesmo modelo de se fazer política no Brasil, tão corrompido, desfigurado e degradado, do qual fazem parte as grandes organizações sindicais e estudantis, era justamente um dos principais alvos dos protestos anteriores. Por isso, obviamente, aquela massa de manifestantes simplesmente ignorou a greve dessa quinta. Muitos só deixaram de ir ao trabalho porque não tinham transporte, mas preferiram passear nos parques ou ficar em casa, e não voltaram às ruas com seus cartazes e gritos de indignação por um Brasil melhor. Deixaram claro que não é esse o seu movimento.
Só quem tira algum proveito dessa “greve” é justamente a classe política, porque, se antes se dizia que não havia uma pauta clara nas manifestações, agora então é que não tem mesmo. Cada sindicato, como também os sem-terra e os diretórios estudantis, tem uma lista de dezenas de reivindicações, que vão desde a redução da jornada de trabalho ao fim dos leilões de campos de petróleo, passando pelo combate ao latifúndio e ao fator previdenciário. Quer dizer, bagunçou geral, não tem mais protesto algum contra governo, Congresso ou quem quer que seja. A estratégia da pulverização: coloca bodes na sala, engrossa o coro, chama mais gente, tira o foco e naturalmente acaba com tudo, de tão grande que ficou. Era tudo o que Lula, Dilma & Cia mais queriam, e nem precisaram de força ou repressão para conseguir. Só estratégia.
Imobilidade urbana
A principal via de Alvorada dá mostras de seu esgotamento. Não só nos horários de pico, as dificuldades para motoristas, pedestres e passageiros se avolumam a olhos vistos, o que, aliás, não é privilégio de nossa cidade. Brasil afora os sintomas são semelhantes. As causas são diversas: entre outras, a equivocada estratégia do governo federal de facilitar a produção e venda de automóveis, a falta de investimentos em obras de mobilidade e em transporte coletivo e de massa, a ineficiência de governos locais.
Quem trafega de carro sofre com a lentidão do trânsito e com a dificuldade de estacionar. Quem caminha esbarra em placas e artigos de lojas expostos nas calçadas, cai em buracos e disputa espaço com carros nos passeios, ou mesmo é forçado a caminhar na rua. Quem usa os coletivos amarga longas esperas em paradas superlotadas e mal conservadas.
Calçada para os pedestres
Apesar de o Ministério Público ter notificado a prefeitura para que tomasse as providências necessárias para desobstruir as calçadas, poucos avanços são percebidos. A secretaria de Desenvolvimento Econômico tem orientado comerciantes a recolherem seus acessórios e mercadorias, mas faltam ainda ações mais eficazes das secretarias de Mobilidade Urbana e de Planejamento Urbano e Habitação em fiscalizar o estacionamento irregular e o uso indiscriminado de placas e letreiros. Passa a impressão de que não querem se indispor com os comerciantes.
Estacionar como?
Outra situação que incomoda muitos motoristas é o descontrole sobre as áreas demarcadas para estacionamento na Av. Getúlio Vargas e imediações. Se são poucas as vagas para a quantidade de veículos, o problema é ainda mais agravado por motos que ocupam vagas de carros e por contêineres de lixo em lugares inadequados. Um olho atento dos órgãos competentes sobre isso não resolve o problema, é claro, mas ameniza, enquanto não chegam soluções mais eficazes.
Problema antigo, solução distante
Sofremos hoje a consequência da falta de planejamento de longo prazo para a cidade, de projetos que possam ir além da eleição seguinte. Alvorada tem o seu comércio concentrado em uma avenida, disputando espaço com o transporte, com a propaganda, com o lazer e com tudo o mais. Não tem um “centro”, como é comum à maioria das cidades. O centro é a extensão da via principal, o que é a causa da maior parte das dificuldades que vivemos hoje. E isso porque nunca se pensou, e ainda se continua a não pensar, no desenvolvimento de outras áreas da cidade e no estímulo ao comércio a que ocupe outras ruas além da Getúlio Vargas. É que isso demanda investimento em infraestrutura, em pavimentação e outras coisas que não dão resultado antes da eleição, não parece?

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