Quinta-Feira, 27 de Abril de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Imobilidade Urbana, o retorno
Falávamos na semana passada sobre as dificuldades para pedestres, motoristas e usuários de ônibus na Av. Getúlio Vargas. Barreiras e obstáculos tornam a vida de caminhantes (e principalmente pessoas com deficiência) ainda mais complicada. E, na rua, a situação de motoristas não é muito diferente. Uma questão que incomoda muitos condutores é o descontrole sobre as áreas demarcadas para estacionamento na avenida e imediações. Se são poucas as vagas para a quantidade de veículos, o problema é ainda mais agravado por motos que ocupam vagas de carros e por contêineres de lixo em lugares inadequados. Se há demarcações ao longo da via que indicam o espaço em que um carro deve estacionar, é um descaso permitir que uma pequena moto ocupe essa vaga. Desleixo do motociclista, que pensa só em si em não considera o coletivo, e desleixo dos agentes públicos, coniventes com a desordem. Muito mais lógica seria a criação de espaços específicos ou alternativos para motos, como acontece na Capital nas “áreas azuis”. Um olho atento dos órgãos competentes locais sobre isso não resolve o problema, é claro, mas ameniza, enquanto não chegam soluções mais eficazes.
Mais encrenca logo ali
Aliás, com a volta do tema dos corredores de ônibus na região metropolitana, a preocupação aumenta. Onde vai parar essa situação do trânsito na avenida? Tem alguém aí se preparando para o futuro, ou ficaremos só vendo a banda passar e o caos aumentar?
Problema antigo, solução distante
Sofremos hoje, e sofreremos ainda mais, a consequência da falta de planejamento de longo prazo para a cidade, de projetos que possam ir além da eleição seguinte. Alvorada tem o seu comércio concentrado em apenas uma avenida, disputando espaço com o transporte, com a propaganda, com o lazer e com tudo o mais. Não tem um “centro”, como é comum à maioria das cidades. O centro é a extensão da via principal, o que é a causa da maior parte das dificuldades de mobilidade que vivemos hoje. E isso porque nunca se pensou, e ainda se continua a não pensar, no desenvolvimento de outras áreas da cidade e no estímulo ao comércio a que ocupe outras ruas além da Getúlio Vargas. É que isso demanda investimento em infraestrutura, em pavimentação e outras coisas que não dão resultado antes da eleição, não parece?
Política em família, parte II
Causou certas reações a revelação desta coluna sobre indícios de nepotismo na política local. Após o comentário sobre a filha de um vereador que se identificava na internet como funcionária da Câmara, a informação saiu da rede no dia seguinte. A pergunta que fica é se só foi escondida a informação ou se foi tomada alguma providência de fato. Enquanto isso, sinais de fumaça apontam para outras labaredas com potencial de incêndio. Relatos de leitores da coluna sugerem que um vereador da oposição (parece que nem tão oposição assim) teria feito indicação de familiar para um cargo de direção no Executivo, o que, se confirmado, seria denominado de nepotismo cruzado.
Só observando...
Alguns episódios no cenário político nacional levam à impressão de que o país está acéfalo. Durante a crise dos protestos de junho, a presidente Dilma preferiu não reunir o seu ministério para consultas, ignorando os 39 (trinta e nove!) nomes de sua confiança como consultores. Também não convocou o Conselho da República, previsto na Constituição para situações assim. Nem mesmo reuniu o Gabinete de Segurança Institucional. Optou por se consultar com Lula e o marqueteiro João Santana, de onde saiu com os “5 pactos”. A partir daí, só polêmica. A maior parte dos anúncios não pode ser realizada pela presidência, mas é de competência do Congresso. As medidas para a saúde esbarram na resistência da classe médica e na lógica, já que não é a falta de médicos o problema, mas sua distribuição e a falta de investimentos em estrutura. Aí vem uma surpresa: na segunda-feira da semana passada, 8 de julho, Dilma anuncia o programa Mais Médicos em Brasília e, menos de 24 horas depois, na terça, já circulava propaganda na TV sobre o tema. Agilidade impressionante! Nunca antes na história deste país houve tanta celeridade pra chamar uma agência de propaganda, chamar produtora de vídeo, gravar, editar, cotar com as emissoras e por no ar um anúncio oficial. 24 horas! Ou será que já estava tudo pronto antes do anúncio da presidente? Ou seja, outra vez teria sido anunciada uma ideia mirabolante sem antes consultar quem entende da coisa? A propósito, nesta última quarta o ministro Mercadante anunciou a criação de uma comissão para avaliar e debater o programa. Agora?

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