Sábado, 25 de Março de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Imobilidade Urbana, parte III
A duplicação da Avenida Frederico Dihl, que começou a ser articulada no governo anterior, tem sido lembrada ultimamente de novo, na esteira dos anúncios de investimentos em mobilidade fomentados pelo governo federal. Seria uma obra muito importante para o desenvolvimento do conjunto da cidade, e não só para a região dos “jardins”, porque ajudaria a descentralizar a atividade econômica, hoje muito concentrada na extensão da Av. Getúlio Vargas. O trânsito, propriamente, também teria certo alívio. Mas, evidentemente, é insuficiente diante das necessidades da cidade, e não pode ser tratada como cavalo de batalha ou apresentada como “salvação da lavoura”. Outros eixos precisam ser desenvolvidos urgentemente, e não estamos nos referindo a pavimentar ruas já existentes (o que sempre é bem-vindo, lógico), mas em desenvolver rotas alternativas de grande fluxo que liguem diferentes pontos da cidade e desafoguem a Getúlio Vargas, espalhando o desenvolvimento pelos bairros.
Um passo à frente, dois para trás
Os esforços da prefeitura na operação tapa-buracos não estão tendo a ajuda de São Pedro. As chuvas dos últimos períodos, acima da média, além da baixa qualidade nos materiais utilizados, tem tornado nossas ruas um território hostil. Ruim pra quem vai de carro, ruim pra imagem da cidade e da administração. Talvez a sintonia do governo municipal com o estadual e o federal pudesse ser uma solução. Ao menos essa foi a propaganda da última campanha.
Política em família, parte III
Se em Brasília pode, por que não aqui, não é mesmo? A presidente Dilma tem um casal entre os seus 39 ministros: Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, e Paulo Bernardo, das Comunicações. Ambos são subordinados à mesma chefe e estão em igual nível hierárquico. Já por aqui um casal também ocupa assentos nos primeiros escalões do executivo, só que em níveis diferentes. Um dos cônjuges é titular de uma secretaria e o outro exerce Cargo em Comissão em outro setor, bem próximo do centro do poder.
Fora de sintonia
Assisti parte do discurso da presidente Dilma na recepção ao papa. Tive a impressão de que foi inoportuno, indelicado, falar de política e defender o petismo naquele momento. Os avanços dos “últimos dez anos" enaltecidos por Dilma soaram muito fora do contexto em um evento que é, acima de tudo, de cunho religioso, não político. Uma chefe de Estado falar de seu país a um visitante ilustre seria, sim, muito adequado, seria lindo, mas se fosse mesmo uma mensagem de boas vindas. Se fosse enaltecer as belas características da nação brasileira, em vez das do atual governo. Se fosse falar de nossa cultura hospitaleira e criativa, e não dos programas oficiais desenvolvidos nos “últimos dez anos".
E o que aconteceu foi um discurso de campanha, mais dirigido ao eleitor do que ao papa. Um discurso eleitoral, pelos temas abordados, que evidenciaram que sua preocupação, mais do que ser receptiva ao líder da igreja católica, foi passar uma mensagem positiva ao povo sobre a estabilidade de seu governo, reafirmar as conquistas dos "10 anos" e com isso reverter a queda nas pesquisas. A fala foi oportunista, como costumam ser os pronunciamentos políticos. Foi indelicado com o papa e com toda a juventude mobilizada para um evento religioso, que não queria ouvir falar de política nesse momento. Os vícios dos discursos políticos permanecem e, como todo vício, não serão curados por si só.

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