Quarta-Feira, 22 de Novembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Novos tempos
Foi bem prestigiada a apresentação da maquete do empreendimento que a Construtora DHX está realizando na entrada da cidade. O secretário estadual Kalil Sehbe, do Esporte e Lazer, e o prefeito Serginho, com outras autoridades, empresários e convidados, elogiaram os diretores da empresa pela beleza da arquitetura e a contribuição que a obra deverá trazer para a economia do município, através da geração de negócios e de empregos. O conjunto de torres comerciais e residenciais, juntamente com o Shopping Center que será construído bem próximo dali, certamente será um divisor de águas na história de Alvorada.
Gargalo
Por outro lado, gera certa preocupação o aumento da circulação de veículos na região em decorrência dos empreendimentos. Alguns investimentos em vias do entorno dos condomínios serão realizados pela construtora, como contrapartida negociada com a prefeitura, e o prefeito anunciou no evento o futuro “alargamento da Avenida Getúlio Vargas”, no conjunto de investimentos em mobilidade previstos para a Região Metropolitana pelo governo federal. Como o local ainda é o principal acesso à cidade, e atualmente já dá mostras de esgotamento, espera-se que estas obras anunciadas possam atender não apenas à demanda gerada pelos empreendimentos, mas contemplem o crescimento de toda a cidade, cujos veículos, individuais e coletivos, passam por ali em número sempre crescente.
Ir e vir
A propósito, Alvorada se ressente de não ter acesso direto a uma rodovia federal. Quem pretende ir a qualquer outro lugar, ou qualquer visitante que vem para cá, sempre tem que passar “pelos fundos” de outra cidade, principalmente Porto Alegre, o que é um dos entraves para o desenvolvimento do município. Há alguns anos foi cogitada a construção de um acesso direto à Free Way, o que naturalmente só seria possível com investimento da União, mas lamentavelmente, apesar da conexão direta da administração local com o governo federal, em razão das relações partidárias, deve ser um projeto que ficará apenas na ideia.
A cara da cidade
Alvorada foi marcada por muito tempo por características nada positivas relacionadas à segurança. Criou-se um estigma no imaginário popular, muito além da realidade do dia-a-dia da imensa maioria da população, de uma cidade sem lei, de enorme violência e banditismo. Enquanto outras localidades são reconhecidas por seus títulos de “Capital disso e daquilo”, como turismo, vinho, móveis etc., recebemos a alcunha de capital do crime. Não raro, essa imagem tão pejorativa era desmentida pelas estatísticas, que apontavam outras cidades com piores índices de violência e criminalidade, mas a fama pegou. Nos últimos anos percebeu-se um esforço para reverter esse quadro, projetando uma imagem positiva da cidade, tanto internamente quanto para a sociedade lá fora. Uniram-se com o poder público diferentes instituições da sociedade, como a Associação Comercial e Industrial, Rotary e tantas outras, e foram criados novos símbolos que dessem um rosto à cidade, para preencher o vácuo de identidade. A Câmara de Vereadores aprovou projetos que criaram o Hino de Alvorada, a marca do sol nascente - mais moderna do que o sisudo brasão – e o título de Capital da Solidariedade (enfim, um título decente!). Diferentes ações, eventos e material de comunicação exploravam estes e outros símbolos nas ruas, nas praças e nas escolas, começando a unir a sociedade em torno de si mesma, com um novo jeito de se referir à própria cidade. A autoestima da população era quem mais estava ganhando com isso, e, claro, os negócios e a economia também. A nova administração municipal, entretanto, dá sinais de que não pretende continuar esse processo, porque esses símbolos, que são da cidade e não de um governo, estão sendo sistematicamente ignorados. Se essa impressão for acertada (o que, aliás, é prática comum em muitos governos que sucedem adversários e procuram apagar qualquer sinal de seus antecessores), quem perde é a cidade, porque perde a própria identidade que estava começando a ser construída.

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