Sexta-Feira, 24 de Novembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Forma e conteúdo
O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Alvorada está em pé de guerra com o governo, por conta da aprovação na Câmara, na última terça, do reajuste do vale-alimentação proposto pelo prefeito Serginho. Os embates vinham se arrastando há tempos, com avanços e recuos, porque as propostas do executivo e do sindicato eram distantes entre si e um acordo estava difícil de ser construído. Como não houve consenso, e segundo servidores não houve nem mesmo diálogo, o governo tomou a iniciativa de encerrar o assunto a seu modo, e a insatisfação do sindicato ficou evidente. A reclamação não é somente pelo conteúdo do texto, ou seja, o percentual do reajuste, abaixo do que pleiteava o SIMA, e as faixas progressivas de desconto, de zero a 50%, em vez dos 20% pretendidos pelo sindicato para todas as categorias. Xingamentos também são ouvidos por causa da forma com que a proposta do Executivo foi enviada aos vereadores. Para evitar a presença e a pressão do Sindicato e de servidores durante a votação, o projeto foi encaminhado à Câmara pouco antes do início da sessão, o que não permitiu que os municipários se mobilizassem.
Nem sim nem não, muito pelo contrário
Alguns vereadores ausentaram-se da votação, uns contrariados com a tática do governo, outros para não se indisporem nem com os servidores nem com a administração, sabendo que o projeto seria aprovado de qualquer maneira. Apenas um dos que não concordava ficou para votar contra, mas obviamente foi vencido pela maioria que estava fechada com o prefeito, que somou dez votos.
Não cola
Os servidores dizem que o argumento da prefeitura de que não há recursos para um aumento maior do vale não convence. Relembram que em março foi aprovada a criação de mais de cem Cargos em Comissão além dos que já existiam, e também foi concedido reajuste significativo aos salários de secretários municipais que, como os vereadores, passaram a receber quase R$ 10 mil brutos por mês. Destacam também que recentemente foi concedida gratificação de 100% para um grupo de servidores da SMOV e SPH para realizarem tarefas que já eram de sua função. As relações começam a ficar cada vez mais azedadas nesse primeiro ano de governo.
Uma coisa é uma coisa...
Reforma política não deveria ser feita por políticos, sob pena de atender somente a seus próprios interesses em vez dos da sociedade que deveriam representar. Reforma eleitoral idem, pelas mesmas razões, e também porque eles próprios têm confundido estes dois temas e tratando como uma coisa só. Não se pode resumir a reforma política que o Brasil necessita a meras questões de financiamento de campanha ou voto em lista.
... e outra coisa é outra coisa
Também não somos ingênuos a ponto de acreditar que uma reforma política ampla e profunda possa acontecer em pouco tempo e, por exemplo, valer já para as eleições do ano que vem, dada a complexidade do assunto. Considerando esses aspectos e sabendo que a caminhada é longa, a rede Movimento de Combate à Corrupção, integrada por dezenas de associações, confederações, conselhos profissionais e outras entidades de peso, está dando mais um passo. Os mesmos autores do projeto que se transformou na Lei da Ficha Limpa agora querem encaminhar ao Congresso um novo projeto de lei de iniciativa popular, desta vez sobre reforma eleitoral, que está sendo chamado de Eleições Limpas. As ideias são interessantes e, se conseguirem 1,5 milhão de assinaturas, podem ser apresentadas para votação no Congresso. Sendo otimista, poderiam até ser aprovadas antes de outubro, para valerem nas próximas eleições. O prazo é curto, mas não é impossível. Para conhecer o projeto e assinar pela internet, o endereço é www.eleicoeslimpas.org.br.

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