Quinta-Feira, 22 de Junho de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Feitiço contra o feiticeiro

No ano passado, quando o prefeito Serginho ainda era um vereador da oposição, organizou com amigos e companheiros de partido um movimento que teve certa repercussão, por ser inusitado e tratar com irreverência e humor ácido um problema enfrentado por boa parte da população de Alvorada: os buracos nas ruas. Na época foi simulado um campeonato de golfe, com direito a tacos e fotos, chamando a atenção da mídia e ganhando espaço nas redes sociais. Agora, do outro lado do balcão, Serginho é o alvo da mesma chacota. Moradores, líderes comunitários e vereadores da atual oposição estão promovendo uma espécie de revanche, com um novo “torneio” sendo organizado em ruas esburacadas da cidade. Nesse empate de 1x1 entre situação e oposição, não tem vencedores, mas perdedores sim: todos nós que transitamos por aí, enlameando nossos pés, danificando nossos carros e assistindo à deteriorização das ruas e da imagem de Alvorada. Resta apelar a São Pedro para fechar suas torneiras enquanto por aqui não se fecham nossos buracos.

Enfim, os cubanos
O largo sorriso estampado no rosto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao assinar anteontem a documentação do acordo que definiu a contratação de quatro mil médicos cubanos, evidenciava a satisfação do governo em finalmente concretizar esse plano, que precisou ser adiado por conta de dificuldades maiores do que as previstas inicialmente, em razão da forte resistência da classe médica e de outros setores da sociedade. E, a julgar por manifestações de diferentes personalidades e organizações desde o anúncio, é cedo para comemorações no Planalto, porque deverão surgir ainda muitos questionamentos, inclusive na justiça.

Paliativo
O Conselho Federal de Medicina classifica a medida de “demagógica e eleitoreira”, lembrando que médicos brasileiros, se contratados pelo programa Mais Médicos, trabalhariam por apenas três anos e depois seriam dispensados sem qualquer indenização ou direitos trabalhistas, o que foi uma das causas da baixa adesão, além das dificuldades detectadas no processo de inscrição. O CFM questiona também a dispensa dos cubanos do exame de revalidação do diploma de médico, exigido de brasileiros formados no exterior, e de exame de proficiência no nosso idioma, indispensável para um atendimento eficaz. Mas o argumento mais contundente é que o caos da saúde pública no Brasil não se deve à falta de médicos, mas a problemas graves em todo o sistema, a começar pela falta de investimentos em estrutura e em programas de prevenção. Médicos, sozinhos, sem instrumentos suficientes, laboratórios e consultórios adequados, sem outros profissionais da saúde, como enfermeiros e técnicos de diferentes atividades relacionadas, não resolverão a situação. É, no mínimo, curiosa essa obsessão do governo em trazer cubanos ao mesmo tempo em que continua o descaso com a falta de leitos, ambulâncias, equipamentos e outros investimentos que não acontecem e nem tem planos para acontecer.

Formadores de opinião
A preocupação de alguns críticos do governo é com a possibilidade de esses médicos, atuando em comunidades carentes, com pessoas vulneráveis e de baixa escolaridade, acabarem fazendo papel de cabos eleitorais do governo e de ideologias de inspiração castrista, que muitos dos nossos governistas gostariam de ver implantadas por aqui.

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