Terça-Feira, 19 de Setembro de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Água e fogo
As últimas chuvas foram intensas, todos viram e alguns sentiram nos ossos. Uma semana inteira, sem trégua. Muitos bairros de cidades do interior do Estado ficaram submersos, milhares de pessoas desabrigadas. O frio, também mais rigoroso do que a média para o período, agravou a situação. E não foi diferente em Alvorada, onde cerca de 500 pessoas tiveram de deixar suas casas, tomadas pela enchente, e muitas delas estão abrigadas no Ginásio Municipal, enquanto outras procuraram parentes e amigos. Nessa hora, toda e qualquer ajuda é bem-vinda. Roupas, colchões, cobertores e comida aliviam o sofrimento, embora o que gostaríamos mesmo seriam de ações efetivas do poder público, para que, finalmente, não precisássemos mais vivenciar dramas assim.

Promessas não são suficientes.
Alguns moradores, entretanto, fizeram mais do que buscar abrigo. Foram reclamar e chamar a atenção da sociedade. Na quarta-feira à noite um grupo da Vila Americana armou barricada de pneus sobre a ponte do Arroio Feijó e ateou fogo, impedindo a passagem de veículos no horário de maior movimento. Cobravam das autoridades o cumprimento de promessas que vêm sendo repetidas há anos, sobre obras de contenção, diques e desassoreamento no arroio, que a cada chuva um pouco mais intensa traz com suas águas uma boa dose de apreensão.

Aliás...
Há um ano os mesmos moradores já haviam feito protesto semelhante, no mesmo lugar, e ouviram de um vereador que esteve lá, que na época era de oposição e se preparava para mais uma campanha eleitoral, que seriam encaminhadas soluções. O mesmo vereador, agora na situação, não foi visto no protesto da última quarta.
Já na manhã desta quinta, outro grupo resolveu armar um bloqueio em Porto Alegre, na Av. Assis Brasil. Motoristas que trafegavam por lá e tiveram a passagem bloqueada reclamaram muito, porque não são os responsáveis pelas calamidades da Vila Americana mas foram os que sofreram as consequências da mobilização. Alguns dos manifestantes alegaram que o protesto era dirigido ao prefeito de Porto Alegre e à CORSAN, já que o dique próximo à FIERGS estava represando as águas em Alvorada e agravando a enchente. Eles estavam acompanhados pelo vereador Schumacher, presidente da Câmara de Alvorada.

Caindo para cima...
O governo brasileiro, depois do episódio nebuloso da fuga do senador boliviano Roger Pinto Molina da embaixada em La Paz, que foi escoltado para o Brasil pelo embaixador interino e dois fuzileiros sem o salvo-conduto do governo da Bolívia, disse que cabeças iriam rolar. Só esqueceu-se de afiar a espada. O ex-chanceler Antonio Patriota, alçado à condição de bode expiatório, foi demitido para ocupar a representação brasileira na ONU, em Nova Iorque. Sim, deixou de ser o chefe da diplomacia brasileira, mas as condições de trabalho, as mordomias e os benefícios no novo posto superam em muito os da antiga função. Quem exercia o cargo na ONU, Luiz Alberto Figueiredo Machado, foi o escolhido para ser o novo Ministro das Relações Exteriores em Brasília. Seis por meia-dúzia.

... ou não.
Outro nome na berlinda é o do diplomata Eduardo Paes Saboia, ex-encarregado de Negócios na Bolívia e que respondia interinamente pela embaixada. Saboia está afastado das funções diplomáticas enquanto é alvo de investigações por uma comissão de sindicância. A crise causada pela retirada do senador da Bolívia, por decisão de Saboia, alegando razões humanitárias e de risco à integridade do parlamentar, que estava asilado na embaixada por quase 15 meses sem receber atenção do governo brasileiro, gerou forte pressão de Evo Morales sobre o governo de Dilma e a substituição do ex-chanceler Patriota por Alberto Machado. Dilma ainda está elaborando respostas mais convincentes, além da “queda” de Patriota, para aplacar a ira do amigo Evo. Eduardo Saboia, que tem carreira sólida e reconhecida na diplomacia mas não é dos quadros petistas, talvez acabe conhecendo uma lâmina mais afiada.

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