Segunda-Feira, 29 de Maio de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Com convicções, sem partido
Dilson Pila, ex-secretário municipal de Indústria e Comércio e ex-presidente do PDT de Alvorada, anunciou nesta semana sua desfiliação do partido, o que repercutiu fortemente no cenário político. Considerado pelo empresariado local como um gestor político hábil e de excelente relacionamento, e que teve papel importante na administração anterior para o entrosamento entre a prefeitura e a iniciativa privada e para a atração de empresas para o município, especialmente no Distrito Industrial, não manteve a mesma simpatia de seu próprio partido. A postura mais pragmática da nova executiva municipal, que abdicou da linha ideológica anterior à última campanha e optou por espaços no governo dos antigos adversários, foi um dos fatores decisivos para a saída.
Pila já tem sido contatado por interlocutores de outras siglas, interessados em seu nome, que goza de prestígio entre setores importantes da sociedade local, mas adianta que não tem pressa. “Foi uma decisão árdua, difícil, construída ao longo de meses”, confidenciou à coluna, sem esconder a decepção de ver que o partido ao qual dedicou mais de vinte anos de militância converteu-se “à política de alianças pré-arranjada durante e após o pleito”, referindo-se às últimas eleições locais.
Nostalgia de velhos tempos
A mudança de discursos dos partidos a cada eleição já se tornou habitual na política brasileira. Poucas e honrosas exceções só confirmam o que já virou regra. Plataformas e programas orientados por princípios ou ideologias são coisa de literatura e ficaram para a história. Hoje o que conta mais parece ser a possibilidade de arranjos, apadrinhamentos, aparelhamento, enfim, cargos e recursos para pessoas e partidos. A meta em cada eleição é a vitória, lógico, mas não somente para viabilizar um projeto de gestão da coisa pública e de avanço da sociedade e da nação, seguindo convicções orientadas para o bem comum. Não, o objetivo é ocupar o poder para engordar o caixa para a próxima campanha. Círculo vicioso enauseante, que é uma das causas do descontentamento da sociedade com o modelo atual, com os partidos e com os políticos e apadrinhados empilhados nos cargos públicos, mantidos pelo dinheiro que falta à saúde, à educação, à segurança e tudo mais que realmente importa aos mortais comuns, desprivilegiados que sustentam essa engenhoca.
Quem cala consente
A propósito, dia 7 de setembro é o dia da Pátria, e, portanto, é dia dos patriotas. A nação se prepara, mais uma vez, para ver seus cidadãos acordarem e irem às ruas, não somente para, como plateia, assistir a desfiles alegóricos, mas como protagonistas, fazendo a própria história em manifestações ordeiras e pacíficas, mas com todo o vigor necessário para construir um Brasil justo e perfeito.
Um “jeitinho” genuíno
Na iminência de sua prisão imediatamente após o fim do julgamento do mensalão, o deputado federal José Genoino (PT-SP), condenado pelo STF no processo, entrou com um pedido de aposentadoria por invalidez na Câmara dos Deputados. Segundo o advogado do parlamentar, Luiz Fernando Pacheco, ele precisa de "repouso absoluto" depois de uma cirurgia realizada em julho. Uma decisão do STF nesta semana determinou que agora, diferentemente do episódio esdrúxulo do deputado-presidiário Natan Donadon (sem partido-RO), que teve o mandato preservado por seus colegas, os deputados condenados no mensalão serão cassados automaticamente, cabendo à mesa diretora da Câmara apenas promulgar a perda do mandato, sem votação em plenário. Diante disso, Genoino antecipou-se em, pelo menos, garantir a remuneração mensal vitalícia de mais de R$ 25 mil, mais benefícios incorporados ao contracheque ao longo da carreira. Coisas de parlamento brasileiro.

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