Sexta-Feira, 28 de Julho de 2017 |

Colunista


Entre Linhas


Werner Pfluck


wernerpfluck@hotmail.com


Politiquês
Alguns ouvidos mais atentos captaram um novo termo agregado ao léxico político, cunhado em roda de amigos que conversavam descontraidamente entre os piquetes do Acampamento Farroupilha. A expressão “oposição remunerada” foi motivo de muitas risadas e repercutiu durante a semana em redes sociais da internet. Só não ficaram claras as circunstâncias que estariam sendo descritas com a nova expressão pelos criativos neologistas.

Desfilar...
Muitos alvoradenses ficaram frustrados pelo cancelamento do desfile cívico que estava previsto para 7 de setembro. Alunos de muitas escolas, associações e outras entidades haviam se preparado para a data festiva, até com certo investimento, e não tiveram alternativa senão guardar seus cartazes, faixas e alegorias. Apesar da calamidade causada pela enchente, que atingiu um grande número de famílias do município, não havia razões convincentes, sob a ótica da população, para a desistência de um evento que seria mais uma oportunidade para cultivar o civismo, o amor à pátria e o respeito às instituições.

... ou não desfilar, eis a questão
Nos bastidores, percebeu-se certa insegurança em manter a programação, que poderia se converter em um teste de popularidade da atual administração, com resultados imprevisíveis. Na dúvida, julgaram melhor não arriscar.

Última chance
Na programação oficial da prefeitura consta somente um “Desfile Temático Farroupilha” previsto para o dia 20 de setembro, sábado, com início às 14h.

Expectativa
Enquanto escrevo estas linhas, está ocorrendo mais uma sessão do STF para decidir se aceita os “embargos infringentes” dos réus da Ação Penal 470, o mensalão. Este é um recurso em desuso, que não é aceito em qualquer outro tribunal, não é mais previsto em lei, mas que foi inteligentemente localizado pelos advogados de defesa dos mensaleiros no regimento interno do STF, que estava baseado ainda em legislação anterior, não havia sido atualizado e, portanto, mantinha um texto antigo que fazia referência ao tal embargo quando a condenação de réus acontece por margem apertada. Os novos integrantes da corte, Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso, recentemente nomeados por Dilma e que não participaram do extenso julgamento encerrado há poucas semanas, como era de se esperar, aceitaram os argumentos dos advogados de José Dirceu e amigos, o que pode levar o Supremo a julgar novamente, desde o começo, vários dos crimes que já haviam sido exaustivamente comprovados. Isso pode levar, por sua vez, a uma mudança em sentenças já proferidas, tornando inocentes alguns dos atuais condenados. Zavascki e Barroso foram acompanhados em seus votos pelos ministros Lewandowski e Dias Toffoli, que já vinham se mostrando claramente favoráveis aos réus durante todo o julgamento.
O ministro Luiz Fux, que não aprova os embargos, descreveu bem uma eventual aceitação dos recursos: “É como se o primeiro julgamento fosse um ensaio” e não tivesse valido de nada.
Neste momento o placar está 5 a 4 a favor dos réus. Faltam ainda os votos de Marco Aurélio Mello e Celso de Mello. A expectativa é grande e não sei, neste instante, qual vai ser o resultado final e se sairá ainda nesta semana. Mas quero crer que ambos vão salvar a imagem do Supremo Tribunal Federal e fazer valer o julgamento já encerrado, longo e cansativo, que foi plenamente acompanhado pela população e gerou uma esperança de ver, finalmente, a Justiça agir com sua mão firme e poderosa contra quem se utiliza do poder para agir em favor de si com o dinheiro do povo que o elegeu.

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